Ah! A D. Crise!...

sábado, 19 de novembro de 2011
Crise, crise, crise, deve ser a palavra mais ouvida, escutada e escrita, nos últimos tempos. Ela está aí na grande ordem da nossa vida.
E nem é necessário ser-se economista ou afim, para se perceber como, e de que forma, a crise se instalou entre nós.
A dona-de-casa mais atenta ou, minimamente perspicaz, apercebe-se disso no seu cabaz diário ou semanal das compras para a satisfação das necessidades domésticas.
Não há ninguém que não tenha verificado, que aquilo que comparava, há uns tempos atrás, com um determinado montante, diminuiu em muito e, algumas vezes, até para metade. O que significa que os produtos encareceram extraordinariamente.
Para além do mais, as prateleiras dos nossos super-mercados e mercearias de bairro, uma vez terminado o último exemplar da caixa, do pacote ou do frasco, o «stock» do produto terminado, não é reposto com a mesma prontidão, ou mesmo, já não é reposto de todo. O que poderá significar – continuando com a perspectiva de dona-de-casa consumidora – que o comerciante ou empresário, não está a importar em ritmo normal devido à crise instalada e quiçá também por causa do cada vez mais baixo poder de compra do seu cliente.
Note-se, não se trata de produtos “supérfluos,” ou de menor procura. Não, não se trata disso. Está a acontecer com os produtos ditos básicos, tipo: leite, bolachas, farinhas, entre outros do mesmo género, para a nossa alimentação.
Se isso não é crise, que outro nome dar-lhe?
O bom senso e a lógica das coisas levam-nos a pensar que se a crise chegou aos países europeus da grande economia em relação a nós, mormente a uma nano-economia, como é a deste pequenino país que pouco ou nada produz?
Para terminar e tal como comecei, a crise está aí, sem disfarces, a preocupar e a apoquentar – de forma directa ou indirecta – a vida de cada cidadão.

Imprevistos agradáveis…

domingo, 13 de novembro de 2011
Recentemente na ilha do Fogo, mais exactamente na Vila da Igreja (peço desculpas, mas custa-me mesmo chamá-la “cidade”) nos Mosteiros, decidi oferecer um conjunto de livros a uma turma do 12º Ano e cujo professor da disciplina de Literatura cabo-verdiana que fora antigo aluno meu e muito estimado – aliás, são-no todos os meus antigos alunos pois que assim os recordo – no ISE, me havia convidado para que também conversasse um pouco com os seus alunos sobre a modernidade literária nacional.
Dirigi-me à Escola Secundária no Laranjo para cumprir a agradável missão e eis que me é comunicado que os planos haviam sido alterados. Em vez de estar à conversa com uma turma de vinte alunos apenas e oferecer a cada um deles um livro, os professores das restantes turmas do 12º ano - de que também fazia parte um outro antigo aluno - do (extinto) Instituto Superior da Educação, mas que eu não estava a par. Daí ter sido igualmente bom revê-lo - quiseram do mesmo modo que os seus alunos participassem da espécie de palestra não prevista e convidaram-me para falar para duas audiências - dividida em turma e meia para cada hora e meia - na sala maior que a escola possuía.
E mais, também haviam decidido que os livros seriam para “premiar” os alunos que melhores notas obtivessem nos próximos testes de literatura.
Claro que a tudo anuí e dispus-me a aceder a totalidade do pedido de todo inesperado.
E foi assim que passei essa tarde quase toda com os estudantes do 12º Ano da Escola Secundária dos Mosteiros a falar-lhes sobre os temas que haviam escolhido e que calhou naquilo que corresponderá a um modernismo e a um post-modernismo da nossa escrita literária.
Mas mais do que falar de literatura, foram as pequenas e muito agradáveis descobertas que fui fazendo ao longo das horas que aí estive. Desde da aluna do 8º Ano que bate à porta e pede timidamente para assistir à aula, segundo ela, especial, e que posteriormente me confessa que havia lido numa semana, a colectânea: «Elas Contam» no exemplar da Biblioteca da escola, passando pelo aluno que me perguntou se os temas para a poesia cabo-verdiana se haviam esgotado actualmente e que ao mesmo tempo me ofereceu um texto poético por ele feito recentemente, para a celebração do dia Mundial da Água indo até – e esta foi a melhor de todas as descobertas da tarde – verificar que alguns alunos gostavam de ler mais do que muito de nós, os da velha geração, julgam e criticam-nos por lerem tão pouco.
Por fim, os aplausos e os abraços e muitas fotografias com as máquinas dos próprios alunos que entenderam desta forma registar a agradável tarde passada. Para mim foi de facto, bem agradável.
Tive ainda a oportunidade de fazer uma rápida passagem pela Biblioteca da escola. Achei-a muito insuficientemente apetrechada.
Daí que, e para finalizar, tomo a liberdade de fazer um pedido dirigido não só a foguenses, mas a todos os que puderem que contribuam com livros para a Biblioteca da Escola Secundária (bem periférica) dos Mosteiros, na ilha do Fogo.

Pequeno-almoço Comemorativo…

segunda-feira, 7 de novembro de 2011
A propósito de mais um aniversário do Instituto Internacional da Língua Portuguesa – IILP, recentemente comemorado, foi pretexto para o seu actual Presidente oferecer um simpático Pequeno-almoço ou um Café da manhã, que foi igualmente ocasião para, à volta da mesa, os convivas conversarem e, dialogarem sobre o passado e o presente do IILP.
Para mim, sobressaiu desde logo, a notícia – que achei muito interessante – de que se está a criar algum consenso entre os Estados membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, igualmente países integrantes do IILP, de denominarem as línguas escritas e faladas em cada um dos países com um registo nacional.
Assim, serão Línguas angolanas, o português, o Umbundu, o Kimbundo, entre outras línguas vivas angolanas. Situação idêntica para o Brasil, ao chamar os seus idiomas (que se descobriram numerosos, a par do português) de Línguas brasileiras. Em Portugal já se sabia que o português e o mirandês são línguas nacionais.
Na mesma linha, fomos informados de que Cabo Verde pretende passar a denominar o português e o crioulo como Línguas cabo-verdianas.
Creio que esta solução é sensata e que servirá talvez melhor os interesses dos seus falantes. Para além de – acredito – apaziguar muitas das polémicas e dos constrangimentos de vária ordem que têm surgido em matéria de definir a língua nacional, a(s) língua(s) materna(s), a língua oficial, quer nas Constituições de cada Estado, quer em outros documentos especializados dos países falantes “oficial” da língua portuguesa.
Refiro-me particularmente e sobretudo, às dificuldades nesta matéria, dos países do chamado PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa) os quais conheceram novas e, por vezes, complexas situações linguísticas após a independência, e que querem preservar e consagrar esse imenso património linguístico encontrado.
É minha convicção também de que a Língua Portuguesa continuará a ser a língua de união e a língua fundamental para se veicular o ensino aos cidadãos da CPLP.
Parabéns ao IILP, por mais um ano de funcionamento, de percurso algo trabalhoso e por vezes mal compreendido, mas também de afirmação paulatina e positiva em prol da língua comum.

Com que então blindados contra crise?!...

sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Há já algum tempo alguém com muita responsabilidade na governação, dizia, não me lembro já em que contexto, que Cabo Verde estava blindado (o termo é dessa pessoa) contra a crise.

Fiquei surpreendido porque a afirmação provinha de uma pessoa por quem nutria (e ainda nutro) muito apreço; e também um pouco apreensivo porque a conclusão não coincidia com a percepção que eu tinha (e ainda tenho) da realidade cabo-verdiana e da fragilidade dos seus sistemas económico e financeiro. Na expectativa, em vez de me posicionar como S. Tomé – “ver para crer” – fui obrigado por força das circunstâncias a postar-me como um jogador de póquer – “pago para ver”. E há muito que venho pagando bem caro esta minha curiosidade.

Mas o grave é que, se calhar, é esta posição que deu asas aos disparates e devaneios megalómanos do PM e às suas insensatas promessas. Tinha respaldo…

O caricato agora da situação é a proposta repentina do PM de "reunir consenso para o combate à crise" quando se esperava da parte do Governo, em primeiro lugar, um pedido de desculpa formal e público pelo tremendo e grave logro em que nos fez cair e acreditar. É que a crise não é de hoje e os nossos défices orçamentais continuam a apontar de forma sistemática para o despesismo pondo em perigo o Acordo Cambial com o Euro.

Como nunca é tarde, cá estamos nós prontos a sacrificarmos, pelas imprudências e imprevidências, ou mesmo incompetência, deste governo. Mas o governo se quer austeridade e contenção tem que dar exemplo. E este exemplo passa pela racionalização das suas instituições, a começar pela estrutura do governo.

Assim como ficou provado que o Ministério do Desenvolvimento Social e Família foi um “job for a boy”, portanto dispensável e consequentemente inútil como tal, poder-se-á encontrar ainda outros porque também criados com o mesmo propósito – satisfazer a clientela.

Serão mesmo necessários 3 (três) ministérios para tratar da nossa Educação, Ensino e Cultura? Não estará a mais o Ministério das Comunidades, cujo conteúdo funcional foi sempre assumido pelo Ministério dos Estrangeiros? E quantas direcções gerais têm como dirigente apenas o director-geral? E os vários conselhos de administração com administradores “fantasmas” que só aparecem para receber os salários (normalmente são depositados na conta dispensando as suas presenças) e pôr a cruzinha (assinatura) duas ou três vezes por ano nos “programas”, “orçamentos” e “relatório e contas”?

Comece já por aí porque amanhã poderá ser tarde, Senhor Primeiro-Ministro, e nós então acreditaremos que na realidade quer combater a crise…

AF

Austeridade ou Cosmética?

segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Alguém comentou comigo que a Ministra das Finanças anunciou fusões de instituições com vista a “emagrecer” – não teria usado esta estafada palavra – as “gorduras” (outro termo igualmente desgastado) do Estado. Falou na necessidade de austeridade e contenção com a coisa pública.

Não me surpreendi uma vez que sei tratar-se de uma pessoa lúcida num governo completamente desnorteado por falta de uma equipa preparada e de um verdadeiro timoneiro capaz de traçar com rigor um rumo e indicar o “caminho certo”.

Aliás, amiúde ela, a ministra, vem corrigindo as fantasias do nosso PM que ora parece não conhecer o País que tem; ora por vezes, deixa a impressão de não saber situar-se.

E isto, quer no contexto nacional com o anunciado – imagine-se! Pós-eleições e com a crise da Euro-zona e dos Estados Unidos já quase no apogeu – aumento de regalias sociais e 13º mês; quer em contexto internacional como aconteceu recentemente nas Nações Unidas com a leviandade do uso do crioulo esquecendo-se de que Cabo Verde pertence a duas organizações internacionais (PALOP e CPLP) criadas especificamente com base numa língua comum – a portuguesa – em busca de afirmação e reconhecimento global como tal.

Voltando à anunciada fusão das instituições, é bom que não se esqueça a Ministra das Finanças de lhes associar um novo paradigma de gestão. Poderá não ter peso nenhum, mas é uma questão de moralização e de alguma indicação de “austeridade”.

Existem muitos conselhos de administração com administradores “fantasmas” e inúteis. São apenas “jobs for the boys” pois auferem, os administradores, não senhas de presença mas salários mensais sem uma efectividade para os merecerem.

É o modelo sustentado e generalizado por este governo, num gesto mimético em relação às congéneres estrangeiras, sem uma análise séria e honesta da dimensão de cada instituição e das características específicas das respectivas actividades, (vide instituições que dantes eram geridas com um presidente ou director-geral ou mesmo director e hoje são dotadas de um relativamente oneroso mas pomposo, inócuo e virtual conselho de administração).

Trata-se também de uma importação deliberadamente acrítica para o sector público de figurinos do sector privado com intenção de iludir a população com medidas “legais” mas visando objectivamente satisfazer uma boa franja partidária que é preciso alimentar para calar e fidelizar.

Só que no sector público somos nós os contribuintes que pagamos as despesas dos sonhos, devaneios e “compromissos”, com alguma incompetência de permeio, dos dirigentes do Estado.

Que venham pois, e já, essas medidas de austeridade e de contenção e que não fiquem só em anúncios e em fusões de instituições e não sejam apenas cosmética para iludir os “parceiros” de desenvolvimento que vêm contribuindo de forma generosa para alimentar alguns disparates e o permanente eleitoralismo dos nossos governantes.

A. Ferreira

Destino!?...

sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Antes de entrar no tema que faz supor o título deste escrito, abro um parêntesis para contar o seguinte: o Armindo costuma, dizer-me a brincar, que eu escrevo por qualquer pretexto, «pronto, lá vai ela escrever!» comenta ele. Quem dera que assim fosse! E respondo-lhe também meio a brincar, meio a sério, que algumas vezes, os meus escritos são para “despistar” o terrível “senhor alemão” e mantê-lo o mais afastado, tanto quanto me for possível. Fecho o parêntesis.
Mas o assunto que aqui me traz nem é feliz, bem pelo contrário, faz-nos ver a vulnerabilidade humana e a sua degradação conduzidas algumas vezes pelo próprio sujeito.
Foi assim: aqui há dias a minha Empregada, acabado o trabalho, despediu-se e ouvi-a fechar a porta após um: «até amanhã, se Deus quiser!» Passados nem dois segundos, volto a ouvir um toque da campainha da porta, pensei com os meus botões: «Deve ser o David! mal pressente que estou sozinha, vem bater-me à porta!». Desço para a abrir e era de novo a empregada que se havia esquecido do telemóvel. Digo-lhe: «Ah! Julguei que fosse o David!» resposta dela: «Ah! D. Ondina! Esqueci-me de lhe dizer, o David foi a enterrar no fim-de-semana. Morreu numa valeta de uma rua qualquer. Diz-se com ataque de coração».Fiquei meio perplexa, que é como se fica normalmente com uma notícia desta e apenas comentei: «Coitado! Paz à sua alma!»Hão-de me perguntar quem é ou, quem era o David?
Ora bem, comecemos pelo princípio. Conheci o David na década de oitenta, meados ou finais, já não posso bem precisar, só sei que ele era então ainda um jovem homem, artesão e que me vinha bater à porta para vender as suas peças acabadas de fazer. Eles eram candeeiros de casca de coco, quinquilharias de tartaruga (ainda não havia a boa proibição da caça a esta espécie marinha) ícones de barro, entre outros objectos. Eu comprava-lhe as peças mais para o incentivar a continuar com o ofício do que propriamente porque as queria. Embora seja apreciadora de um bom artefacto.
A determinada altura, apercebi-me de que o artesão já não andava bem, bebia ou drogava-se, não posso afirmar, mas que me parecia isso, parecia. Falava alto, sozinho, alterado. Passou a vir bater à porta quase todos os dias. Por vezes mais do que uma vez por dia. Gritava pelo meu nome quando lhe diziam que eu não estava ou estava ocupada.
Por fim já trazia peças inacabadas, e algumas que me pareciam não serem dele, mas sim subtraídas por ele a algum colega.
Enfim começara a sua degradação, a desgraça e a sua queda. Deixou de trabalhar a sua arte. A desleixar-se no vestir e na higiene pessoal. Passou a pedinte, a vagabundo de rua, parecia mesmo um quase sem-abrigo. Vinha já pedir comida e, sobretudo, dinheiro. Dava-lhe ou, mandava dar-lhe algum leite, pão, bolacha, ou sopa, pois que me parecia que cada vez mais se reflectia no corpo muito debilitado, os efeitos devastadores da bebida e da droga. Igualmente pelo Natal, oferecia-lhe sempre uma prenda em dinheiro. Mas o seu comportamento piorava de dia para dia em termos de boas maneiras. Passou a exigir em alta briga (como se fosse um direito adquirido) à empregada, a todos da casa, dizendo que eles não estariam a cumprir as minhas ordens em dar-lhe o que estava a pedir. O que é certo é que tantas fez que já ninguém tinha paciência para o ouvir quando cá vinha à porta de casa. Numa palavra: passou a “abusar” da dita “bondade do próximo.”
Voltando ao passado do David, do tempo em que ainda novo e artífice (promissor); do tempo em que participava com as suas peças em feiras e em pequenas exposições de artesanato e em que ele estava enquadrado no Centro de Artesanato. Era um tempo de intensa cooperação com países (sobretudo europeus) que ajudavam Cabo Verde. Havia cooperantes de várias nacionalidades. Eles e elas, franceses, suecos, suíços, italianos, portugueses -embora estes últimos não fossem considerados propriamente “estrangeiros” – entre outros. Mas que os havia em notável quantidade e de diversas nacionalidades, era então um facto.
Contaram-me – não posso garantir a veracidade disso – que ele se envolvera numa relação amorosa com uma cooperante e que quando esta terminou a missão – assim se denominava na época, o serviço prestado pela cooperação dos países que ajudaram Cabo Verde nos primeiros anos após a independência – quis “levá-lo” com ela de regresso ao país de origem. Ela estava no ramo e saberia como enquadrá-lo no seu ofício. Segundo a minha relatora, ela pediu, suplicou-lhe, lágrimas pelo meio, mas David ter-se-á recusado, pois começara a beber e a usar alucínogenios (?). Enfim!...
Conta-se que, inclusivamente, isso foi mote de uma coladeira muito em voga nessa época. Ficou na terra e não tardou a processar-se (não por este motivo) a auto-destruição do homem.
Um dia em que ele me pareceu mais sóbrio, perguntei-lhe timidamente, pois sabia que estava a “invadir território muito pessoal” o porquê dessa recusa, que certamente lhe teria mudado – para melhor – quem sabe! O rumo da vida? Ele apenas me respondeu: «Destino!?...Olhe nem sei! …»E ao saber a notícia da sua morte, veio-me à memória esta espécie de presságio/sentença de vida, dita pelo próprio.

Isolacionismo Linguístico?

domingo, 23 de outubro de 2011
Quando num dos meus escritos aqui publicado, me referi à forma descontextualizada e sem mesura com que o nosso Primeiro Ministro usou o Crioulo no seu discurso na Assembleia-Geral da ONU, fi-lo com os dados que tinha no momento em que escrevi o texto.
Posteriormente, em contacto com entidades ligadas à CPLP, nomeadamente de Angola, Brasil e Portugal, pude perceber o porquê da reacção pouco positiva dos nossos parceiros deste grupo.
Se não vejamos:
1 – Depois de muitas “batalhas” do grupo CPLP, para que a Língua portuguesa seja de facto – ela já é de há muito, e oficialmente, uma das línguas desse grande fórum mundial – um dos idiomas realmente assentes no plenário das Nações Unidas;
2- Não vá sem acrescentar que esta vontade cada vez mais reiterada da CPLP relativamente à Língua comum, tem vindo a acontecer igualmente em muitas outras organizações e em outros fóruns internacionais, com alguns resultados muito encorajadores;
3 - No momento em que os “holofotes” da ONU estavam virados para Dilma Rousself, a Presidente do Brasil, que fez um globalizante discurso de abertura em português, o que fez que acontecesse, de alguma forma, o “momentum” da Língua Portuguesa;
4 - Quando na mesma direcção se seguiram os discursos de Angola, Moçambique, e outros, eis que surge isoladamente, como que “caído de uma galáxia distante” Cabo Verde a discursar em Crioulo o que configurou uma contrariedade a essa afirmação.
Ora bem, quem já andou em fóruns internacionais, conhece as regras – os diplomatas e os políticos fazem concertações constantes ao longo das sessões, entre si e com os grandes ou, pequenos grupos de países a que estão ligados por diversos motivos, ou interesses, para atingirem determinados objectivos. Normalmente giza-se uma estratégia de grupo. E desta vez com o brilharete da Presidente do Brasil, seria a hora da consagração, da afirmação e da consolidação da nossa Língua comum. E parece ter sido a isto a que faltou e falhou precisamente ao nosso representante orador na Assembleia-Geral da ONU. Ficou isolado. Daí que alguns da CPLP tenham abandonado a sala, seguramente descontentes com a prestação de Cabo Verde no contexto.
Na verdade o PM cabo-verdiano não cometeu nenhum “crime” com isso. Nada disso se tratou. Mas que foi inoportuno e descontextualizado e que configurou algum menosprezo, ou alguma menos valia pelos termos de pertença de Cabo Verde à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, creio que dúvidas não sobram. Igualmente, não existem dúvidas, de que ele não soube reger a finalidade importante da nossa língua segunda que é exactamente para a comunicação exterior /internacional.
Como defensora acérrima do bilinguismo, faço votos que da próxima vez, saiba o nosso PM distinguir o espaço e o contexto para a utilização de cada uma das nossas duas línguas.