A propósito do 20 de Janeiro…

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
 

Passou-se mais um aniversário sobre a morte de Amílcar Cabral (AC), na circunstância, o quadragésimo. As comunidades cabo-verdiana e guineense – cada uma ao seu jeito e ao seu modo – celebraram o evento nos respectivos espaços de implantação.
 
Vem sendo recorrente essas manifestações político-culturais de homenagem ao líder histórico e fundador do PAIGC. A este propósito, convém registar, ninguém sabe ao certo, quando é que o PAIGC foi fundado, mas que é ele o fundador também não há dúvidas, da mesma forma que ninguém se coíbe de enaltecer o brilhantismo da luta armada que ele e o seu partido encetaram para a independência da Guiné-Bissau.
 
De qualquer modo, Amílcar Cabral é passado; é História não só de África como universal. Assim como Marx, Engels e muitos outros o são no campo das ideias ou mesmo Lenine no da sua aplicação prática nomeadamente com o seu centralismo democrático tão bem aceite por Amílcar Cabral.
 
AC é grande. É seguramente um dos maiores do seu tempo. Mas como disse o famoso pensador espanhol do século passado Ortega y Gasset: "O homem é ele (o homem) e a sua circunstância". E eu acrescentaria, parafraseando Camões: mesmo para “aqueles que por obras valerosas se vão da lei da morte libertando”. E nesta linha, se não se conseguir fazer com que ele e a sua obra transcendam as circunstâncias do seu tempo, o que não é tarefa fácil dado o contexto em que ele as viveu densa e intensamente, a sua invocação e fixação obsessiva pouca ou nenhuma mais-valia trarão aos tempos actuais do que uma ilustríssima referência histórica podendo, eventualmente, vir a ter efeitos contrários aos pretendidos e bem diferentes dos que ele merece.
 
Amílcar Cabral é um herói que é invocado sistemática e singularmente em Cabo Verde pela altura do dia dos Heróis Nacionais, que “coincide” com o do seu assassínio, ele que, por ironia, até nem se sentia cabo-verdiano mas sim guineense. Aliás, quem o diz é ele próprio, posteriormente reiterado pelos seus mais próximos.
 
Na verdade, nascido na Guiné e filho de pais cabo-verdianos, ele só viveu em Cabo Verde dos 11 anos (1935) aos 21 (1945) idade com que partiu para Portugal para os estudos superiores, e não mais voltou a residir em Cabo Verde.
 
Mas o que estranha não é o facto de ele ser herói; nem o da afirmação e corporização desta sua condição se situar bem longe de Cabo Verde, mais precisamente nas matas da Guiné espalhando-se, é certo, por todo o mundo; mas sobretudo o de uma Nação com mais de 500 anos de existência apresentar – na sua longa História de “resistência” e de cultura – apenas um único herói. Convenhamos que é triste, redutor e desolador.
 
Efectivamente não é, nem poderá ser, verdade. Amílcar Cabral poderá sim ser o centro, mas outros seguramente existirão. O que é preciso é identificá-los… O que AC não pode ser é um instrumento manipulado pelos asteróides e meteoritos que gravitaram à volta dele sem voz nem opinião – ele pensa por nós, diziam alguns – para hoje se promoverem a iluminados e resplandecentes planetas por via da sua condição anterior.
 
Os escribas do reino têm-se preocupado em contar a História na primeira pessoa o que redunda em história ou mesmo historietas. Observe-se o caso da assinatura do acordo para a independência de Cabo Verde. Ao contrário da versão crioula, diz um importante subscritor português (transcrevo):
 
Já agora a minha opinião é que não chegou sequer a haver uma terceira ronda, com delegações de um e outro lado da mesa, para negociar o acordo que veio a ser assinado. A verdade verdadeira é que não houve delegações para se alcançar o acerto final a que se chegou.
Existi eu e existiu Pedro Pires. E fomos nós e mais ninguém que, em escassas três horas, nos pusemos de acordo e redigimos – na prática eu fui redigindo e ele foi opondo algumas discordâncias de fundo e de forma – o acordo que, no fim desse mesmo dia, foi assinado em Belém, pelo Presidente da República, por mim, por Mário Soares e por Melo Antunes, em representação de Portugal, e por Pedro Pires, em representação do PAIGC. Não me lembro de que, nesse mesmo momento, tenha sido também assinado por Amaro Alexandre da Luz e José Luis Fernandes Lopes, membros da Comissão Nacional de Cabo Verde do PAIGC, cuja assinatura veio a figurar no texto. (Fim de transcrição) in “Quase Memória” – Vol. II (pág 246) de António Almeida Santos – Edição Casa das Letras.
 
Mas não ficam por aqui as questões polémicas e intrigantes. Vejam-se a este propósito, as afirmações de Aristides Pereira – sucessor efectivo, e ao que desde então sempre se disse “natural”, de Amílcar Cabral na condução da Luta para a Independência da Guiné – nomeadamente, as em que ele refere que estava nessa luta (apenas) para a independência de Cabo Verde, razão porque não aceitou ser presidente da República da Guiné-Bissau, assim como as de outros dirigentes do PAIGC nesta mesma linha.
 
Em termos histórico/político, essas afirmações e atitudes põem em causa a então dogmática Unidade Guiné - Cabo Verde por conta da qual tanto sangue foi derramado bem como o estatuto dos cabo-verdianos no contexto da Luta Armada na Guiné.
 
Se o contributo dos cabo-verdianos na Luta para a Independência da Guiné é importante, o dos cubanos não pode ser negligenciado sobretudo pelo seu número e qualidade.
 
Urge pois, que a História da Luta para a Independência de Cabo Verde seja feita. Narrada e enquadrada em moldes mais pensados e quiçá, “despido” de algum excesso de emotividade participativa personalizada. Isto é, não apenas com a actual visão monolítica e redutiva de transposição linear e arrastamento da Luta para a Independência da Guiné-Bissau mas através de uma análise cuidada e objectiva, perspectivando, dimensionando e temporizando todos os parâmetros envolvidos – endógenos e exógenos – designadamente os que dicotomizam e autonomizam a vertente guineense da cabo-verdiana.
A. Ferreira

Horas de Trabalho… são horas de trabalho!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013


Para quando voltará à nossa administração pública a noção de que horas de trabalho são horas de trabalho?

Para quando retornará à Função Pública aquele mínimo de entendimento do que é prestar serviço a outrem? Apenas isto se pede.

Dito doutro modo, é notório quando se vai a um balcão dos serviços públicos ou equiparados, que quem atende o utente, fá-lo depois de acabar a conversa ao telemóvel ou, a conversa com o, a colega do lado. Enfim, o utente que espere…

E assim vamos nós. Começo a dar razão àquilo que se julgava munido de algum fundamentalismo, que é a proibição de o empregado/funcionário da administração norte-americana, atender ou usar telemóvel durante o horário de expediente.

Ora bem, já precisávamos de algo semelhante nos nossos serviços.

É que já não nos basta ir ao balcão pedir informações sobre a nossa vez na fila de atendimento e com a ficha numerada na mão – mas sem projecção sequencial dada a inexistência de qualquer ecrã ou de chamada oral – ainda mais, depararmo-nos com a, o, funcionário pachorrentamente a falar ao telemóvel e nós…que esperemos! Pois então? Quando ele/ela acabar o seu serviço pessoal primeiro, depois virá a vez do utente…

Para além deste mal, outros há que se presenciam durante o tempo de espera na fila. Por exemplo, o atendimento é desagradavelmente feito em alta voz da parte de quem atende, pois os decibéis utilizados por alguns funcionários para explicar o assunto a quem lho solicita – quando cada caso é um caso e merece privacidade – chega a incomodar outrem que está à espera de vez e que não tem nada a ver com o assunto daquele (s) que o precede e nem quer ouvir!

Na minha opinião, neste ponto já não se trata da parte administrativa propriamente dita, mas sim, do perfil do atendente que – e salvo o devido respeito – por vezes, mais parece de promoção repentina de contínuo/servente para outra função mais acima na escala hierarquizada, sem qualquer formação de permeio.

Tudo isto, acrescido de um tempo de espera, por vezes sem qualquer e aparente razão lógica, acaba por provocar no utente destes serviços um grande mal-estar.



Já não há inspecção? É que o à-vontade (preste-se atenção à linguagem de alguns ditos funcionários) e a falta de profissionalismo dos serviços no atendimento público chegam a ser confrangedores!



Enfim, cenas dessas começam a ganhar ares de normais na relação servidor/utente da administração pública, o que é penoso e de muito má nota.









Djoca Pliu

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

(Joaquim António Ferreira, Jr.)

- Breves Memórias de um Bom Amigo -

O “e-mail” do Pepito a comunicar que o nosso Djoca nos havia deixado não me chocou nem me surpreendeu. Embora triste com tal notícia, era o anúncio de uma morte esperada.

Eu tinha estado com o Djoca no ano passado numa curta visita a Bissau por razões também pouco agradáveis – 1º aniversário do falecimento da minha Mãe. O seu estado de saúde (moral e físico) reflectia a vulnerabilidade e a fragilidade do País.

Não obstante não padecesse de nenhuma doença incurável – hipertensão arterial – era, como milhares de outros, vítima de um vazio de estado, inexistente serviço de nada mormente o de saúde.

Só, envelhecido, alquebrado, algo desiludido e saudoso, mas não passadista, dos bons velhos tempos dos quais ele era um dos últimos residentes, só tinha alguns escassos amigos a quem recorrer, e estes, também eles com problemas amplos e abrangentes, embora de outra índole, nem sempre o podiam satisfazer.

Com a partida do Djoca vai uma das últimas testemunhas da História vivenciada da cidade-capital da Guiné-Bissau, dos últimos 50 anos. Bem sei que o nosso também querido João Galvão no seu já famoso Tatitataia disso já falou.

Mas reitero que poucos, muito poucos, conheciam Bissau e a sua gente como ele, Djoca. Ele tinha vivido intensamente, sempre no mesmo sítio – Bissau – o antes, o pós e a própria Independência. Em cada canto encontrava uma história – ainda não me converti ao neologismo de inspiração anglófona “estória” – e também uma História. E em cada esquina uma personagem que com a sua perspicácia e invulgar sentido de humor lá fazia sair mais uma bem-humorada e mordaz “passada”.

Embora nascido em Bissorã, muito cedo foi para Bissau tornando-se numa das mais emblemáticas personalidades (latu sensu) da cidade. Completara no passado dia 24 (ou 25, já não me lembro bem) de Setembro 70 anos. Era já uma espécie de ex-libris da cidade. Urbano a cem por cento com uma esporádica passagem por Nhacra com funções administrativas – uma espécie de Chefe de Posto que no novo ordenamento territorial teria tido outra designação – que foram alvo de muito gozo e saborosas tiradas precisamente pela analogia e eventuais mordomias das mesmas funções na época colonial. Também fizera uma formação em Portugal de largos meses no domínio das pescas da qual tinha engraçadas e bem divertidas “passadas”. O Lotes (Carlinhos Almeida) e a Ana (sua mulher) que então o acolheram que as contem!...

Na infância e adolescência morávamos (as nossas famílias) em Pidgiguiti e não

Pindgiguiti como hoje sói dizer-se. Mais precisamente no “Quintal de Alfredo Neves” cheio de frondosas mangueiras e enquadradas nos seus limites por elegantes e sempre prenhes coqueiros. Atrás da Casa Gouvêa. Convivíamos com os marinheiros que faziam do “Quintal” um local para tratar das parafernálias dos navios sobretudo do remendo das velas. Eram momentos quase diários de galhofas com picardias sociais a que assistíamos com raras e muito tímidas intervenções mas com muito deleite. E sabíamos, mas sobretudo ele, o nome de cada um. Do lado de lá da rua estavam as Oficinas Navais defronte às quais fazíamos a nossa peladinha no asfalto a que chamávamos foladinha, por razões que parecem óbvias; peladinhas que eram um forte pretexto, um “leitmotiv” para nos encharcarmos em seguida em água de côco. Foi onde nasceu o Atlético Club de Foladinha – o único em que o Djoca jogou. Clube de bairro que não de Pidgiguiti – apenas local de reunião – pois com gente de vários bairros porque era de facto um clube de amigos, de existência efémera, porque não tardou em alimentar os grandes de Bissau de excelentes elementos, desaparecendo de seguida.

Voltando à minha última ida a Bissau, estava instalado num dos hotéis da ANCAR e o meu amigo Djoca era sempre o meu primeiro visitante e o último de quem me despedia ao subir para o quarto.

Num dos dias em que já terminara o meu programa saímos a passear sem rumo definido, à deriva. Naturalmente, fomos contornando o Hotel e descendo para o porto, aí perto, para o cais de Pidgiguiti, ao sabor do vento, para apanhar um pouco de fresco e matar saudades. Parámos no nosso “Quintal” e localizámos apontando com alguma nostalgia os locais de comezaina das mangas verdes com sal, às quais, por vezes, acrescíamos malagueta; do velho limoeiro de “limão francês” – na altura ninguém os utilizava – que nos fornecia munições para batalhas campais e algumas diatribes; a goiabeira que dizia pertencer-lhe porque junto à sua casa; e o parapeito de betão que fazia de cerca, em que descascávamos os cocos retirados com varas bem compridas brandidas por vezes por duas ou mais pessoas que lhes davam na queda trajectórias erráticas bem perigosas. O “Quintal” obviamente já não era o mesmo e grande parte da história era apenas um regresso ao passado que o tempo não apagara e que naquele momento enfatizava, quiçá, com alguma imaginação à mistura.

Continuámos o nosso percurso e paramos defronte das antigas Oficinas Navais e lembrámos dos bons velhos tempos de “Foladinha”. Das características futebolísticas de cada um de nós e dos nomes sonantes do futebol mundial a que nos assumíamos ou éramos apodados. Dos muitos de nós que já nos tinham deixado e de outros dos quais nunca mais ouvíramos falar.

Djoca era um bom falador, um narrador inato que temperava as suas passadas” com um misto de sarcasmo e de ironia que lhes conferiam um incontornável e irresistível sabor humorístico. E era dotado de uma memória de elefante que lhe permitia cultivar pormenores que nos criava embaraços em saber se eram do domínio do real ou do imaginário.

Ao chegarmos à entrada do Cais de Pidgiguiti, fomos naturalmente transportados para 3 de Agosto de 1959. Estávamos juntos e juntos tínhamos assistido à revolta dos estivadores, fez ele questão em me reavivar a memória:

Eram férias grandes e estávamos na segunda metade do dia. Tinha eu sido enviado pelo meu Pai para ir buscar um documento nas “Obras Públicas”. Convidara o Djoca, com quem estava em quase permanência, para me acompanhar. Saídos do “Quintal” vislumbrámos um aglomerado de pessoas na esquina da Casa Gouvêa (actual Armazéns do Povo) todas viradas e olhando para o cais. Rapidamente nos juntámos a elas – escassos trinta quarenta metros nos separavam. Encostámos ambos pachorrentamente na parede a presenciar no cais de Pidgiguiti um grande rebuliço com pessoas armadas com catanas e paus de pilão, excitadas e ameaçadoras que ensaiavam danças guerreiras. No meio uma autoridade marítima (patrão-mor ou cabo do mar?) esbracejava e berrava.

Passados muito escassos minutos chega um camião militar de tropas indígenas (assim eram conhecidas) de onde saltaram soldados equipados com a velha Mauser comandados pelo Tenente Simões e não Castro que nem sequer tinha chegado a Guiné e que algumas narrativas protagonizam. Os revoltosos não recuaram um milímetro, bem pelo contrário, avançaram. Ouviram-se tiros e uma grande debandada das pessoas que se encontravam no cais correndo em todas as direcções e atirando-se à água. Nisto vislumbramos o meu Pai que andava à minha procura. Ao chegar perto de nós e vendo-nos abulicamente instalados, com impropérios arremessou a mão direita para a minha cara – foi a primeira e última vez que o meu velho fizera esse gesto para mim. Era apologista de que às crianças (filhos) nunca se devia bater na cara para não banalizar um gesto que retira dignidade – e, segundo o Djoca, em jeito de gozo, que eu agira como Floyd Patterson (um famoso pugilista de então) tal fora a agilidade e a eficácia do meu esquivo.

Recolhidos ao “Quintal” – cada um foi para a sua casa com portas e janelas trancadas – continuando a ouvir tiros, embora cada vez mais espaçados. Depois veio o silêncio.

Contudo, à noite recomeçou a agitação. Eram rajadas de metralhadora das vedetas (ou apenas uma) que patrulhavam as zonas com holofotes, eventualmente, como intimidação ou à procura de eventuais fugitivos escondidos nos mangais. Estava uma noite de breu. A cada rajada a minha Mãe que era manjaca (os marinheiros eram na sua quase totalidade manjacos) dava um grito, suspirava fundo e fazia preces. Assim foi toda a noite.

No dia seguinte nenhum marinheiro esteve no “Quintal” e ficamos apreensivos e em expectativa. Havia pois, uma grande reunião dos manjacos debaixo de um poilão situado algures da qual a minha Mãe era espaçadamente informada do seu andamento.

Não perdêramos nenhum dos nossos amigos marinheiros.

Hoje, apesar de toda a especulação e natural aproveitamento no passado, sem querer diminuir a importância e gravidade da ocorrência, sabe-se que se tratou de uma questão meramente laboral e que, com o cruzamento de dados oficiais e oficiosos, o número de mortos situou-se entre sete a nove pessoas. De tudo isto falamos no nosso regresso ao passado em Fevereiro do ano transacto pela simples circunstância de estarmos no “local do crime”.

Fomos conversando, e conversa puxa conversa, lá me lembrou ele dos longínquos anos 60 quando me convidou para ser seu explicador. É claro que não podia sequer pensar em recusar. E o nosso Djoca lá se muniu dos livros e cadernos para fazer o 2º ano dos liceus. Diga-se, em abono da verdade, que a sua literacia era bastante superior às suas habilitações literárias.

O nosso “negócio” durou muito pouco. Nem sei se chegou a duas semanas. Ele

delirava a lembrar-me a cena. Tínhamos chegado aos sólidos geométricos. Depois de umas explicações, pus-lhe entre as mãos uma caixa de fósforos e pedi-lhe que me identificasse o sólido e me dissesse de quantas faces, vértices e arestas era composto.

Trocou-mos todos. Lá voltei a explicar-lhe e a fazer-lhe as mesmas perguntas. Voltou a enganar-se. E na minha intolerância e impaciência não me passou pala cabeça que o erro podia estar em mim que não me explicara bem e, num gesto de abuso de confiança com alguma camaradagem à mistura, disse-lhe: “Tu és burro ou quê?...”

Pousou de imediato a caixa de fósforos, pôs-se de pé e em tom desafiador, disse-me (em crioulo): “A explicação acabou aqui. Falta de respeito não! “Lantâ pabia nu na fende ‘m otru cadêra gosse!... Catchôr d’mangu!” E pôs-se em guarda debruçado sobre mim com os punhos cerrados.

É claro que não deu em nada. Lá me expliquei com qualquer coisa e dissipei a tensão.

Nunca mais houve explicação. E nem a nossa amizade se arrefeceu por um instante que seja. E todas as vezes que falamos em estudos ele lembra-se da cena e conta-a com pormenores e humor que só ele sabia fazer. Não se pense que ele alguma vez se encolheu por via disso. Altivo e “atrevido” como eu carinhosamente o provocava nunca deixou de ombrear connosco e tomar parte das discussões de igual para igual.

Mesmo que eu quisesse não poderia contar as inúmeras peripécias que com o Djoca vivi ou delas tenha tido conhecimento.

Não resisto contudo a contar uma pelo insólito da situação e pela excentricidade revelada do nosso querido Amigo: O nosso Djoca resolve casar e convida para padrinho o Lotes, o nosso Carlinhos Almeida, fazendo dele ao mesmo tempo seu procurador. O Lotes, generoso como sempre não se perguntou, e sendo procurador pensou que por qualquer motivo o Djoca estaria impedido de estar presente.

No dia do casamento, tudo preparado para a cerimónia e enquanto esta se processava o nosso amigo Djoca de calções passeava de moto de modo ostensivo pela cidade tendo tido o descaramento de antes passar pelo Lotes avisando-o da hora do evento e pedindo-lhe para não se esquecer. É claro que o Lotes ficara furioso mas já nada podia fazer e a Aida, a nubente, não merecia, pois era um amor de pessoa.

Anos depois, poucos, a morte prematura e repentina da Aida, marcaria de forma indelével a vida do Djoca que nunca mais foi a mesma pessoa apesar da sua aparente permanente boa disposição. Quem o acompanhou de perto sabe bem disso. O casal não chegou a ter filhos. Mas o Djoca tinha, que eu saiba, duas meninas e um rapaz. Este último no estrangeiro.

Não obstante ser ‘Ferreira’ como eu, nenhum laço familiar nos ligava. Apenas uma profunda amizade. Era sim, primo-irmão do lado paterno do médico ginecologista e obstetra Rui António Ferreira, falecido há cerca de 3 anos em Coimbra e, do lado materno, do deposto primeiro-ministro Carlos Gomes, Jr..

Muito mais podia falar do nosso querido Djoca mas as limitações de um texto desta natureza não deixam espaço para o fazer…

Ficam a imensa saudade e a memória de um Bom Amigo. E como disse o Pepito no seu e-mail “a vida, mais pequenina, continua”.

Que descanse em paz!

A. Ferreira

O meu Texto em contexto pessoal…

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Uma das leis mais violentas, polémicas, criadas e aplicadas pelo governo do regime de Partido único PAIGC/Paicv, (1975/1990) foi a chamada, e de triste memória: Lei de Bases da Reforma Agrária, LBRA, consagrada pelo Parlamento monopartidário (em que os Deputados, cujos nomes – afectos ao regime - vinham inscritos em listas feitas na sede do Partido único, enviados para cada comité e “votados” em reuniões locais de braço levantado - E ai! daquele que aí estivesse presente e de braços caídos! - Assim era o sistema político e o de “eleições” que vigorou em Cabo Verde (com ligeiras e simuladas alterações, no período final do regime, acima citado, em que localmente já se podia acrescentar um nome na lista dos candidatos, sem ser expressamente mandado da sede.) Ninguém me contou, assisti, presenciei e vivi esse tempo da chamada, até de forma meio incoerente e até caricata, de «“democracia” revolucionária».

Presenciei-os, dizia eu, com estes olhos “que a terra há-de comer” e com estas memórias escritas que permanecerão após mim…

Hoje pergunto-me: A quem terá servido a reforma agrária em Cabo Verde? Questiono: Será que os camponeses, os mais pobres de terra e da terra viram melhorada a sua condição de vida por via disto?...Não me parece que tal tenha acontecido.

Ora bem, vamos por partes: a reforma agrária vinha sendo praticada à força, pelos “caciques” locais, afectos ao regime vigente – refiro-me ao Fogo, especificamente, embora saiba que também seria assim nas outras ilhas agrícolas – logo após a independência do Arquipélago. Digamos que sem cobertura legal até 1982, (Lei nº 9/IV/82 de 26 de Março de 1982), mas com o encorajamento e instigação do poder instalado – aliás, ninguém se atreveria a isso, sem ter a cobertura dos mandantes – quando foi aprovada e promulgada, no ano referido, em letra de lei. Não esquecer que a Lei das nacionalizações dos prédios rústicos, vinha já do Dec.– Lei Nº 6/75. Logo, desde o primeiro ano da independência de Cabo Verde, o que revela ter sido uma das primeiras preocupações do PAIGC.

De modo que a prática de há muito havia sido instalada, e com contornos de uma verdadeira perseguição aos antigos proprietários de terras, na qual se incluía o acicatamento dos guardas, dos parceiros e dos feitores a tornarem-se inimigos dos seus patrões. Enfim, criaram os seus promotores, um clima de guerra dentro de relações quase familiares e sociais antiquíssimas, de parceria e de meeiros, com instigação a ódios e a malquerenças, que provocaram muita perturbação e um sem fim de confusões.

Destacarei, neste excerto, mais concretamente a ilha do Fogo, (pois aí, vivi-o de perto, quase “na pele”) não sem acrescentar que possivelmente o mesmo terá acontecido em Santiago e na ilha de Santo Antão, dada a violência cometida sobre alguns agricultores e alguns proprietários que culminaria com os tumultos de 31 de Agosto de 1981, com presos, morto e feridos.

De recordar que a sede dos serviços da RA era na cidade da Praia, na rua do antigo cinema ou frente à pracinha da Escola Grande e havia os CRA (Centros de Reforma Agrária) espalhados nas ilhas agrícolas. A estrutura orgânica da RA dependia do então chamado Ministério do Desenvolvimento Rural. Os seus responsáveis, presidentes e/ou directores, eram escolhidos entre os “caciques” locais do PAIGC/CV, que faziam e desfaziam – comportando-se como pequenos “déspotazinhos” – a bel-prazer, a par com o Secretário de Sector (estrutura partidária fortemente implantada em todas as ilhas) e qualquer deles com muito mais poder real do que o então Delegado do Governo no Concelho, até porque, para o regime, imagine-se, o “partido” (entenda-se PAIGC/CV) estava acima do Estado. Ora estas estruturas eram fortíssimas em termos de mando nas ilhas e coexistiam em paralelo com a estrutura da administração pública, suportando o erário todos os custos desse paralelismo e dualismo administrativo que vigorou entre nós até 1990 do séc. XX.


Mas dizia eu, que tal era o exercício da autoridade que os Centros locais da Reforma Agrária foram criados à semelhança das demais estruturas do Partido único (Sector do Partido, Tribunal de Zona, Milícias Populares, entre outras). Tudo isso baseado no Artigo 4º da Constituição de 1980 então vigente, que rezava o seguinte: «Na República de Cabo Verde, o PAICV é a força dirigente da sociedade e do Estado» Numa palavra: em Cabo Verde, um Partido político – no caso, o PAICV – repito, estava acima do Estado. Isto contado aos mais novos, até custa acreditar! Mas era assim o cenário político nas ilhas.


O autoritarismo dos CRA era de tal modo, que uma boa parte da população foguense percepcionava a RA, como mais um tentáculo monstruoso e forte obstáculo às liberdades individuais, chegando a ser violenta a sua actuação (coação psicológica) – casos do Fogo, Santiago e Santo Antão – e das milícias locais (coação física).

Daí que os Centros de Reforma Agrária, as terríveis CRA, mandavam, oprimiam, perseguiam e humilhavam todo aquele considerado dono, proprietário de terras aráveis, quer fossem de sequeiro, de regadio, ou de café que era o caso dos meus saudosos pais. Numa palavra, pretenderam acabar por várias vias, e essa foi uma delas, com a classe média rural das ilhas ou, como gostavam de apodar como “os burgueses” em contra-ponto com os falsos (boa parte... presunção e água benta cada um toma a que quer) “proletários revolucionários”

Como eu, muitos filhos sofreram então atrozmente pelo que viram passar os pais. Terá sido o meu caso, pois adorava os meus “velhos” que tão bem me souberam educar!

Os meus irmãos e eu – que os amávamos profundamente e que ainda hoje, prosseguimos orgulhosamente junto dos nossos descendentes, algumas das práticas da esmerada educação, o legado mais precioso que eles nos deixaram, interrogámo-nos se a Reforma Agrária não terá contribuído para diminuir, suprimir e encurtar, os anos de vida – sobretudo em termos de qualidade, já que o tempo de duração só os altos desígnios é que o determinam – que poderiam ter estado connosco e serem avós melhormente e mais prolongadamente?...

Porque é que digo isto? Porque quando começou a verdadeira perseguição, a sanha raivosa aos meus pais, com muita configuração de ajuste de contas social por parte dos agentes da reforma agrária, o meu “velho” adoeceu gravemente e nunca mais foi o mesmo até que a morte o veio buscar. Nesta penosa saga e por natural arrastamento, a minha mãe – que cuidou dele como enfermeira vigilante de todas as horas da doença com o carinho que só uma mulher dedicada, uma verdadeira companheira de todos os momentos, o saberiam fazer – também acabou por adoecer e daí à morte, tendo sido pouco o tempo que restou de vida a essa nobre senhora!

Daí que, quando, numa das sessões da Assembleia Nacional de há duas décadas, os Deputados votaram (e creio que não houve votos contra, os tempos já eram outros,,,) – respirava-se então democracia e pluripartidarismo – a derrogação e a completa revogação com a Lei nº 88/IV/92, de tudo o que anteriormente havia existido em matéria de leis da Reforma Agrária, senti uma emoção indescritível e de lágrimas a assomar, elevei o pensamento à alma do meu “velho”.

Podem crer que até acredito que hoje, muito dos seus mentores e aplicadores até se arrependeram ou não voltariam a cometer, tão triste feito.

Ora bem, perdoar, enquanto cristã, até poderei, ou se calhar, até deverei fazê-lo… mas esquecer não depende de mim.

Para terminar gostaria de deixar claro, que este desabafo é pessoal, subjectivo, tudo o que quiserem, e é, sobretudo, meu! Daí tê-lo intitulado de: «O meu texto em contexto pessoal».

Mas mais, reconheço-lhe alguma validade e legitimidade dentro da parcela dos meus direitos e dos meus deveres individuais, aos quais, nunca fugi enquanto filha, irmã, mãe, avó, tia, companheira, amiga, profissional e cidadã.

Hoje, 31 de Agosto, é uma data certamente para muitos, com imenso simbolismo!





Taxa de urgência (?) … Para que serve?

quinta-feira, 30 de agosto de 2012
A questão assim posta poderá não fazer sentido. Mas se o leitor tiver alguma paciência para ler o que vou narrar neste pequeno texto, compreenderá a razão e o motivo do título.

Aqui há dias desloquei-me aos Serviços de Emigração e Fronteiras, para renovar o meu passaporte cuja validade estava prestes a caducar.

Preenchido o formulário/pedido, dirigi-me ao balcão de atendimento e disse ao que ia. A senhora que me atendeu perguntou-me se queria o documento normal ou com urgência. Indaguei pela diferença entre uma coisa e outra, não só em termos de custos, como igualmente – para mim e no momento, mais importante – prazo, isto é, os dias que levariam para mo entregarem. Verifiquei, que a diferença em dias para ter de volta o meu passaporte renovado, justificava de todo pagar a taxa de urgência.

E assim fiz, não sem antes ter perguntado à funcionária que me atendia: “…mas a taxa de urgência é mesmo para valer! Não é?... Ao que ela respondeu com alguma veemência na voz: “Claro que é!” Como quem diz: “Mas de quê ou de quem está a duvidar?”

Chegados o dia e a hora por eles marcados, lá fui levantar o meu passaporte. Fiz questão – aliás, como sempre faço – de ser pontual.

Atendida ao balcão, qual o meu espanto quando a mesma funcionária que me havia assegurado que a taxa de urgência fazia todo o sentido para o meu caso, dizer-me da forma mais displicente, embora educada, e com o ar mais natural deste mundo reflectindo uma rotina demonstrativa de que assim é que funcionam as coisas, de que o passaporte ainda não estava pronto e... bom, ela nem sequer sabia ao certo quando…

A minha primeira reacção (interiormente indignada) foi questionar. “Então? para que serviu ter pago a taxa de urgência que ainda assim faz alguma diferença em termos de custo da do pedido como “normal”? …olhe que agora, a nova data marcada já é como se tivesse pedido o passaporte normal, ou não é assim? …”

A funcionária em jeito de “dourar a pílula” à minha reacção saiu-se com a já velha e estafada justificação que já serve para tudo…até (ou sobretudo) para a negligência e ineficácia no actual atendimento público: “É que tivemos uma avaria no sistema…”

Retornei na data e na hora remarcadas. De novo ao balcão a mesma funcionária, desta feita, preocupada e constrangida com a situação, esvaziou, com ajuda do colega ao lado, todas as caixas contendo passaportes à procura do meu, o qual, mais uma vez, ainda não estava pronto.

Eu, já sem palavras e cada vez mais indignada, pois necessitava do documento e o tempo a encurtar para isso, rematei com alguma ironia e/ou gozo na voz: “…Será que os senhores me devolverão o valor da taxa de urgência, que afinal para nada serviu? Sim, porque a nova data marcada para cá retornar já ultrapassa a que me haviam dito para um passaporte normal… ”

Resposta obtida: “…Ah! Isso agora não costumamos fazer!... a não ser que a senhora faça um requerimento”. E eu, calma e seriamente: “mas minha senhora, eu paguei uma taxa adicional porque tinha urgência, por um serviço da administração pública que não cumpriu a sua parte e agora diz-me que não devolvem a parte não efectuada? Nem sequer é pelo valor. É uma questão de princípio. E cá para os meus botões: A Administração Pública deve ser uma pessoa de bem!

Então solicitei, em jeito de pergunta: Por favor, têm um livro de reclamações?…

Claro, que o serviço não possuía tal instrumento que, se calhar é, para a nossa Administração, um capricho dos países civilizados ou… uma demagogia dos países desenvolvidos que é preciso evitar.

Visivelmente incomodada, a funcionária simpaticamente garantiu-me que desta vez seria ela mesma que iria junto dos serviços de emissão diligenciar pelo meu passaporte, pois também ela já não compreendia tanta demora; e que depois me telefonaria.

De facto, passados dois dias, recebo a chamada dela, para me dizer que era necessária uma fotocópia do meu B. I. pois, o local de nascimento (haviam escrito: “Cabo Verde”) do antigo passaporte não estava correcto. Respondi que no primeiro dia do pedido levara comigo a fotocópia agora solicitada ao que na altura me disseram que só eram necessários, uma fotografia e o documento a renovar. Aproveitei então a oportunidade para acrescentar e torná-la ciente de que eu gostava imenso do meu local de nascimento, no mar, a bordo de um vapor, em viagem, mas a autoridade que elaborou o documento, talvez pela chamada “lei de menor esforço” é que registou a naturalidade de forma incorrecta,

Lá voltei. Fiz a entrega do agora solicitado, dez dias passados sobre o início desta “novela policial.”

Finalmente, obtive o passaporte renovado depois de cinco (!!!) deslocações aos Serviços de Emigração e Fronteira!

A minha curiosidade foi ir directamente à página com os dados de identificação para verificar se tinham corrigido e escrito o meu verdadeiro local de nascimento.

Qual o meu espanto, outra vez, quando, tal como no passaporte anterior, sem tirar nem pôr, e sem alterar uma vírgula dos dados anteriores, escreveram: Local de nascimento: “Cabo Verde”

E assim vamos nós com esta administração inteligente, eficiente e célere ao serviço do cidadão…

Sem mais comentários!







Aposentado versus Vida activa?...

quarta-feira, 22 de agosto de 2012


Li recentemente num comentário – a um artigo de opinião, cujo autor, diga-se de passagem, sempre desassombrado e frontal como o seu estilo já nos habituou – de alguém, possivelmente mais jovem, recomendar-lhe que “gozasse tranquilamente a sua reforma”… insinuando, que se devia manter calado, sem opinar, isto é, sem qualquer actividade de natureza intelectual. É a leitura mais próxima e lógica que se poderá fazer do dito comentário.

Para além do comentário no seu todo ter sido algo incoerente e contraditório, achei-o no particular que aqui me refiro, pouco motivador, para não dizer, pouco elegante ou mesmo, pouco correcta tal conceptualização.

Então o facto de alguém se ter retirado da vida activa de uma determinada profissão ou ofício, com idade e tempo adequados, é certo, mas com lucidez, bagagem e instrumentos intelectuais de análise, dados não só pela sua literacia, teórica e prática aplicadas no trabalho, agora acrescida pela experiência vivida; não poderá mais expressar-se?!

Bem pelo contrário, quer-me parecer que se trata de uma fase de vida, que enquanto durar a capacidade cognitiva, lúcida e contributiva, deverá dela fazer uso. Quer pela pena opinando livremente, pois que sem subordinação a qualquer tipo de pressão que não sejam as suas ideias, as suas reflexões e concepções sobre a sociedade em que está inserido. É esta a prática corrente nos países avançados em que antigos titulares de cargos importantes, na reforma, são chamados para proferir palestras, escrever artigos de opinião, propor soluções de problemas, reflectir sobre a sociedade, entre outras actividades.

Abro aqui um pequeno parêntesis para dizer o seguinte: Pena tenho eu de que não exista ainda nas ilhas, uma Universidade sénior ou instituição similar, pois matricular-me-ia num dos cursos de arte: canto, música ou teatro de que sempre gostei! Fecho o parêntesis e volto ao assunto, para rematá-lo.

Para além do mais, o dito comentário ao Artigo de opinião, pareceu-me imbuído de um juízo de valor pouco democrático, pouco ético.

Ora então agora, “faça o favor de estar caladinho, não opine, sopas e pantufas??” Santa Bárbara!

Tudo isto vai ao arrepio, daquilo que hodiernamente se entende por terceira idade em paragens civilizadas…





Permissão de transcrição...

quinta-feira, 16 de agosto de 2012
Café Final


JBem Café Margoso-

Meus amigos, até breve. Foi bom enquanto durou. Sigo para outros projectos. O Café Margoso começou como blogue e transformou-se numa imagem de marca. Graças a vocês todos. Um dia há-de haver um café de verdade com este nome (não é, Paulino?). Aquele abraço de sempre e um bem-hajam! João Branco”

O que vai aqui escrito  em baixo, era para ser enviado como comentário ao «Café Margoso» "Bati à porta" como sói dizer-se, mas o meu aparelho deu o «Blog» como já desactivado(?). De modo que decidi colocar aqui este escrito breve, em jeito de saudação.
"Só agora dei fé da mensagem de despedida (?) do «Café Margoso» bem simpático, de um saudável "agridoce" q. b. e de que eu era leitora assídua.

Vai-nos deixar falta! O «Blog» era e é de leitura irónica, humoristíca e informativa. Para além do mais, punha-nos em dia, através dos seus conteúdos específicos, com o que se passava no teatro.

Obrigada pelo trabalho feito.

Espero e faço sinceros votos que seja apenas um: “Até breve” Saravá! Café Margoso e o seu autor João Branco."