A Ofensiva dos “Melhores Filhos” e a Cumplicidade dos “Filhos Pródigos” e “Adoptivos”

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019



O respeito pela dignidade, pela diferença, pelas instituições e pelo primado da lei são indicadores essenciais para uma primeira abordagem sobre a saúde de uma democracia.
Hoje proliferam as chamadas “fake news” (notícias falsas). Alguns estudiosos sobre este assunto dizem que não existem “fake news” e que as situações a que dão esse nome deviam ser designadas por “misinformation” (desinformação), o que é bem diferente.
Há quase três décadas que o período de 13 a 20 de Janeiro é marcado no nosso calendário político recorrentemente por uma narrativa histórica efabulada e hiperbolizada que de forma calculada, estudada, visa efeitos bem definidos, ao fugir deliberadamente da verdade dos factos e se situar no domínio, não das “fake news” mas das “misinformations”, da manipulação da informação, com a intenção expressa de reescrever uma suposta História “gloriosa” do nosso País, curiosamente, vivida e ocorrida na Guiné- Bissau, como se de acerca de um corpo expedicionário, devidamente mandatado, se tratasse.
Amílcar Cabral (AC), o centro nevrálgico de toda a narrativa, a trave mestra de toda a trama, o instrumento necessário e indispensável para a credibilização da narrativa, é, bizarramente elevado ao estatuto de fundador de uma nação – a nossa – que já existia uns séculos antes do seu nascimento. Ele que, por razões tácticas, estratégicas ou outras, nunca se considerou cabo-verdiano, não obstante ter usufruído durante toda a sua vida académica de uma bolsa de estudo destinada aos “naturais da Província de Cabo Verde”, pelos vistos “indevidamente”. (Vide Daniel dos Santos in Amílcar Cabral – Um Outro Olhar).
Considerar AC o fundador da nacionalidade cabo-verdiana seria (ou é), de uma certa forma, como se alguém tivesse a ideia patética e estapafúrdia de considerar Ben Gurion o fundador da nacionalidade judaica. O mesmo não acontece com a Guiné-Bissau em que, por via da luta para a independência se deu início a um processo liderado por AC de formação de uma única Nação através da unificação das quase três dezenas de nações (Vide Ruth Benedict – Padrões de Cultura) existentes no território, aliás, um dos parâmetros conducentes a considerar a “luta da Independência”, sobretudo em África, também um acto de cultura.
E nesta obsessão de fazer de Amílcar Cabral o fundador da nacionalidade e para dar alguma consistência a este desiderato, chega-se a forjar a sua própria naturalidade, como se esta – a naturalidade – fosse algo que se outorga ou se herda.
Abrindo um pequeno parêntese clarificador, convém aqui referir que Amílcar Cabral, natural de Bafatá - Guiné, viveu apenas dez anos em Cabo Verde: três (2 + 1) anos na Praia, terra da mãe – Iva Pinhel Évora – e sete no Mindelo, para onde a mãe se mudara para o acompanhar nos seus sete anos do Liceu Gil Eanes. Depois de terminar o curso em Portugal, na viagem para a Guiné com escala na Praia, sequer saiu do barco para se encontrar com familiares e eventuais amigos, tendo preferido ficar a bordo onde recebeu a visita do Dr. Arnaldo França, seu antigo condiscípulo do liceu.
Fechando o parêntese e retomando o assunto, a gravidade da questão não reside apenas na exaltação da figura de AC que é apenas um meio, mas na investida de impor a sociedade cabo-verdiana uma História que não é a sua e ao Estado uma ideologia (que a Constituição proíbe), com recomendações várias de a alargar e perenizar através das nossas escolas e de todo o sistema educativo. Não tem faltado incursões pelas Escolas e produções literárias de cariz paigcista panegíricas.
Este ano de 2019 foi particularmente prenhe de ofensivas feitas pelo PAIGC cabo-verdiano de consolidação da sua estratégia de fagocitar o “novo” MpD e dominar todo o aparelho do Estado impondo a sua idiossincrasia política, a sua ideologia.
A ofensiva paigciana chegou ao desplante de assumir, em alguns casos, a paternidade do 13 de Janeiro – data da nossa autodeterminação, isto é, da conquista da nossa liberdade e da nossa democracia – considerando-o uma ocorrência menor, e subordinando-o à “nossa” independência sob a égide de um Partido que não foi só autoritário e repressivo como foi manifestamente hostil à uma importante parte da nação cabo-verdiana – a emigração – que tratou de a ampliar com a criação de uma verdadeira diáspora política.
O 13 de Janeiro, ao contrário, é uma data de liberdade e de democracia de todos os cabo-verdianos – dentro e fora do País – e não apenas de alguns, de uma parte, de um Partido restrito a um pequeno território.
Mas tudo vem sendo possível graças ao “Pacto da Cidade Velha” que impôs o silêncio sobre a Ditadura do Partido Único ao mesmo tempo que facilita e promove a reelaboração – reconfigurando-a – de uma História com base nela.
Nesta movimentação não faltou a cumplicidade de importantes figuras do Estado e da sociedade política que tendo sido outrora maltratadas e escorraçadas do seio dos “melhores filhos” para eles regressam hoje quais “filhos pródigos” na ânsia de recuperar um lugar na História reconfigurada e reescrita na qual vêm participando activamente.
A vontade de agradar e de se subordinar é tanta que hoje, de entre outras coisas, determinados actos particulares e partidários da esfera do PAIGC ou de inspiração paigciana foram trasvestidos, com pompa e circunstância, em cerimónias e celebrações de Estado.
Encontram-se ainda em várias Repartições e, ao que se diz, até no Palácio, retratos de Amílcar Cabral. E a verdade é que ele não consta em nenhuma linha ou página da nossa Constituição. Em suma: Ele não é figura do Estado, o que não quer dizer que não seja da História…
Por este andar, com a manipulação, a formatação e a subordinação do Sistema Educativo bem como um certo desleixo ou desconhecimento de alguma comunicação social, não tarda muito que tenhamos uma espécie de “União Nacional” como metáfora de partido único a comandar os nossos destinos.
O que se está a passar na nossa sociedade política é simplesmente inqualificável. Mas que ninguém tenha dúvidas: Conseguido o objectivo o “Pacto” será desfeito.

Cartografia dos Sentimentos

domingo, 20 de janeiro de 2019



      Nas vésperas do recente Natal, a minha filha mais velha, que vive no Algarve, viajava ao volante do seu automóvel para se juntar à família, em Tomar. Deslocando-se sozinha, trazia o Pepe, cão de raça Yorkshire Terrier, já com 13 anos de idade, deitado no banco do pendura. A poucos quilómetros de Grândola, ao fazer uma festinha na cabeça do animal, notou que ele não deu qualquer sinal de si. Receando o pior desfecho, ensaiou desesperadamente uma manobra de reanimação mas o cão não reagiu. Desviou-se para Grândola e foi à procura de um veterinário, que confirmou a morte do animal, atribuindo-a a um colapso cardíaco.
      Escusado é pintar o quadro de consternação que se apoderou da dona do cão e da profunda tristeza da jovem sua filha quando, em Tomar, já antecipadamente reunida aos avós para o Natal, recebeu a notícia. É nestas alturas que se percebe o potencial de afectos que os animais domésticos representam para os humanos. Dão-se completamente e despertam em nós sentimentos tão sublimes que é caso para se interrogar se não serão mais genuínos e mais profundos do que os que regem normalmente as relações humanas.
      E por que será?
      Talvez porque a natureza humana seja complexa demais para permitir sentimentos lineares e puros de uma forma estável e duradoura. É que entre o homem e o seu semelhante existe sempre uma conflitualidade latente mesmo que se cultivem relações amistosas ou cordiais. Porque estas são muitas vezes mais aparentes que reais, pois escondem os egoísmos, as questões de orgulho, as rivalidades disfarçadas e outras aflorações do carácter que o ser humano tem dificuldade em dominar. Diferentemente, os animais que o homem introduz no seu convívio, em especial o cão e o gato, proporcionam-lhe laços em que não há ambivalência nenhuma. O animal é de uma dedicação, estima e lealdade ao seu dono que não têm paralelo nas relações humanas, donde se pode dizer que a adopção de um animal doméstico funciona como uma compensação para os afectos que o homem sente recalcados em si próprio ou descrê que possa partilhar com a mesma autenticidade com o seu semelhante.  Por isso é que em muitos casos a relação entre o homem e o animal funciona como uma terapia psicológica. 
      Contudo, a tradição filosófica ocidental não estará inclinada a caucionar essa constatação ao separar cartesianamente o ser racional da natureza que lhe é exterior. De facto, para considerar os animais possuidores de sentimentos seria necessário conferir-lhes dignidade, o que equivaleria a opor-se a Kant quando, na sua Fundamentação Metafísica dos Costumes, os classifica como “coisas”, diferenciando-os dos seres humanos, que são “pessoas”. Ou contrariar o racionalista Descartes, que na sua obra Discurso do Método alerta que, “após o erro dos que negam Deus, não há outro que mais afaste os espíritos fracos do caminho recto da virtude que imaginar que a alma dos animais é da mesma natureza que a nossa”. O problema é que a visão antropocêntrica do mundo advém do protagonismo desse mesmo homem que pensa e raciocina e no entanto não se liberta da complexa teia das suas contradições e dos seus conflitos interiores. Esse mesmo ser racional que é capaz de aniquilar sem piedade o seu semelhante e destruir irresponsavelmente o ambiente natural. Porém, abre-se uma janela de arejamento quando os filósofos Theodor W. Adorno e Max Horkeimer postulam uma reforma da razão para a libertar do que a tornou um instrumento de dominação tanto da natureza como do próprio homem e sua racionalidade. A prova de que não é assim tão líquida a separação entre a cultura e a natureza está, por exemplo, no campo da criatividade literária, em que os animais são personagens que representam as comédias e os dramas da vida humana.  
      O Pepe era igual aos da sua raça, nem mais nem menos. Um cão manso, cordial e amistoso mesmo com estranhos, mas que fazia um alarido sempre que sentia a presença de alguém nas escadas ou no elevador do seu prédio. De igual modo, sinalizava a chegada da sua dona ou de pessoas de família, mesmo que estivessem ainda longe do seu alcance visual. À hora das refeições, sentava-se ao pé da mesa a olhar para as pessoas fitando-as, e por vezes empoleirava-se nas pernas apoiando as patinhas nas cadeiras dos donos, como se esperasse por algo apetecível. Apreciava o seu passeio e dava sinal, com pequenos latidos, quando achava que a hora nunca mais chegava. Desafiava as pessoas para a brincadeira correndo atrás da bola que lhe pertencia. Deliciava-se a destroçar uma garrafa de plástico enquanto ia emitindo grunhidos, excitado com o estardalhaço que ia produzindo. Mesmo a dormir, parecia atento aos movimentos, e se alguém se preparava para sair de casa, desaparecia-lhe subitamente a sonolência. E se via então a sua trela na mão dos donos, entrava em grande frenesim, latindo e correndo até à porta, na antevisão de um passeio no exterior. Gostava de saltar para cima dos sofás e se lhe fosse permitido era o seu leito preferido. Era um cãozinho carinhoso, só lhe faltando falar, como é hábito dizer-se dos cães. Mas nos últimos tempos notou-se claramente que foi perdendo vitalidade, passando mais tempo a dormir.
      Fomos enterrar o Pepe no regaço da mãe-natureza, em local isolado, ao lado de um sobreiro. Estava um dia luminoso e os pássaros quebravam o silêncio com o seu chilreio à volta, como se incorporassem um concerto musical dedicado ao fim de um ciclo. É nestas alturas que sentimos um foco redentor para onde afluem todas as retrospectivas, ao mesmo tempo que nos perpassa a sensação de que todos os seres do mundo sensível são possuidores da mesma pulsão vital que é o limiar das capacidades sensoriais e da inteligência racional. É o que nos faz crer que todas as criaturas são iguais na aventura universal.

Tomar, 30 de Dezembro de 2018
Adriano Miranda Lima

  
    

O terrorismo bateu à porta do Natal

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018
 Quando o governo francês se debate com os tumultos provocados pelos Coletes Amarelos, eis que ocorre um atentado reclamado pelo Jihadismo, como que a não querer deixar os seus créditos por mãos alheias, ou… usurpados por mãos impuras. O problema é que a primazia do protagonismo não é aqui fácil de mensurar porque, nos dois casos, a violência se diferencia tanto na sua substância activa como nos seus objectivos, ou ausência deles. Com mais ou menos concessões, os governantes podem travar, atenuar ou adiar os tumultos sociais, negociando olhos nos olhos com sindicatos ou líderes sociais. Com o terrorismo islâmico, o mesmo não é fácil porque nenhum caderno reivindicativo se apresenta com verbo decifrável e nenhum interlocutor se senta à mesa da negociação de boa mente e rosto descoberto.
      Segundo constou, o autor do atentado, Sherif Chekatt, não estava identificado como membro de qualquer célula terrorista, assim como não está ainda suficientemente comprovado que o seu acto teve por trás uma clara motivação islâmico-terrorista. No entanto, conforme noticiou o jornal Le Parisien, Sherif Chekatt gritou "Allahu Akbar" enquanto disparava contra a multidão de pessoas inocentes, e disse ao taxista que o transportou que quis "vingar os seus irmãos mortos na Síria". Mais diz o jornal que só não matou o taxista porque este revelou-lhe ser muçulmano praticante.
      O que também tem suscitado alguma dúvida é o facto de o terrorista ter sido um cadastrado por delitos do foro comum, admitindo-se que possa ter agido por um impulso demencial semelhante ao de cristãos que pegam numa arma e desatam a ceifar vidas humanas, como frequentemente acontece nos Estados Unidos da América. E também nada demonstra o facto de o chamado Estado Islâmico ter reivindicado o acto como tendo sido cometido em seu nome, visto que essa organização sistematicamente assim procede. De igual modo, não há prova de que o terrorista se tenha querido imolar como “mártir” pela causa do Islão, pois caso contrário teria oferecido o peito às balas dos seus captores, em vez de fugir. Depois, não é crível que alguém nascido e educado em França e ainda por cima com uma conduta transgressora das regras sociais possa acreditar na patranha das 70 virgens que no céu aguardam o mártir pela fé muçulmana. Até é possível que ele soubesse que o historiador tunisino Mohamed Talbi desmistificou o sentido dessa crença ao esclarecer que tudo não passa de um equívoco, pois um lapso na tradução é que fez passar a ideia de que são 70 virgens quando se trata apenas 70 bagos de uva (1).
      Em todo o caso, se não foi uma acção puramente jihadista, o seu autor tudo fez por isso. Até porque escolher como alvo o mercado de Natal de uma cidade cristã é mais susceptível de indiciar uma intencionalidade religiosa do que um simples acto tresloucado.
      Para o académico americano Martin Kramer (2), a única forma de derrotar o terrorismo islâmico “é enfraquecer a sua lógica moral, encorajando os muçulmanos a ver a sua incompatibilidade com seus próprios valores.” Mas a dificuldade está em descortinar uma “lógica moral” no terrorismo islâmico, porque para isso a interlocução dialéctica teria de assentar em princípios epistemológicos reconhecidos pelas partes em confronto, sem o que seria um perfeito diálogo de surdos. Além disso, como pode a lógica moral estar presente em condutas irracionais e violadoras dos mais elementares valores do humanismo universal? Adolf Hitler não obedecia a qualquer lógica moral quando proferiu as seguintes palavras num discurso dirigido aos oficiais das SS em Kharkov em 19/04/1943: “A melhor arma política é a arma do terror. A crueldade gera respeito. Podem odiar-nos, se quiserem. Não queremos que nos amem. Queremos que nos temam.”
      É isto que parece acontecer com o terrorismo islâmico. Mais do que importar-se com uma arma política alicerçada em pressupostos racionais, o objectivo é o terror pelo terror, expressão de um fanatismo levado aos limites da sua exacerbação.
      Porém, o que está em causa é a perversão dos princípios e da prática do Islamismo, que na sua essência original muito tem de comum com o Judaísmo e o Cristianismo. De facto, as três religiões monoteístas possuem mais semelhanças que diferenças e estas se cingem mais à práxis que ao substrato teológico, pois que os seus princípios ético-morais foram colhidos na mesma fonte onde bebeu o profeta Abraão, que é comum aos três credos. Os seus livros sagrados −Torá, Bíblia e Alcorão – não só pregam idênticas virtudes básicas como são todos raiados de uma mesma visão radical, severa e austera sobre o homem e o mundo.

      E quando hoje se fala de fundamentalismo religioso, esquece-se que o fenómeno existiu e existe nas três religiões monoteístas, embora com manifestações diferentes, e que certas formas de fundamentalismo são mais produto da nossa era do que dos tempos medievais. Por exemplo, no Cristianismo o fundamentalismo propriamente dito surgiu nos meados do século XIX e tomou forma de letra em 1910 quando presbiterianos ligados à universidade americana de Princeton publicaram uma pequena colecção de doze panfletos intitulada “The Fundamentals”, em que se propunha um Cristianismo extremamente rigoroso, ortodoxo, dogmático, como orientação contra a modernização acelerada que ocorria na sociedade norte-americana no domínio tecnológico mas também da espiritualidade. Para esses fundamentalistas, a Bíblia é o fundamento básico da fé cristã e portanto deve ser tomada à letra: cada palavra é de inspiração divina e como Deus não pode errar, então tudo na Bíblia é verdadeiro e imutável. É por uma perversa interpretação da Bíblia que volta e meia alguns possessos de fanatismo religioso cometem assassínios que na sua tipologia pouco diferem das práticas do terrorismo islâmico.
      Só que o Cristianismo condena as práticas extremistas e odiosas que se verificam no seu seio, e mesmo quaisquer leituras radicais contemporâneas que subsistem não têm qualquer significado num mundo ocidental laico e identificado com os valores da ciência e com as metamorfoses do progresso. O mesmo não se pode dizer da região mais conturbada do mundo muçulmano, O Médio Oriente, porque nela têm voz activa religiosos obscurantistas e autocratas agarrados a uma visão tão retrógrada do Corão que rejeita liminarmente o progresso universal.   
      Ainda assim, o cientista político americano de origem indiana Fareed Zakaria (3) desmistifica alguma visão errónea que se tem do mundo islâmico ao lembrar-nos que a prática terrorista é fortemente repudiada pela maioria do mundo muçulmano. Adianta que o terror “islâmico” não é a bandeira de uma religião, cultura ou civilização, e que o radicalismo islâmico é impopular e a maioria dos muçulmanos não deseja uma teocracia. E, numa revelação mais prosaica, revela que as pessoas no mundo muçulmano preferem viajar para ver o luxo em Dubai e não as madrassas em Teerão, lembrando ainda que metade dos países muçulmanos do mundo – cerca de 600 milhões de habitantes – tem eleições e que os partidos ligados ao radicalismo islâmico raramente alcançaram mais do que 7% ou 8% de votos nos escrutínios eleitorais. 
      As ciências políticas e sociais debruçam-se sobre a origem e as causas dos problemas e não raro deparam com um conjunto intricado de factores encadeados numa relação que torna difícil isolar causas e efeitos. Creio que é o caso do fundamentalismo islâmico e do terrorismo jihadista. Analisando: o mundo ocidental não pode descartar responsabilidades em relação às suas políticas seguidas no Médio Oriente, no passado como no presente; na actualidade, ninguém ignora a hipocrisia das relações do ocidente com alguns estados árabes produtores de petróleo, em que os valores e os princípios são postergados em função da lógica do negócio do petróleo e armamento, dando azo a que se proceda com pesos e medidas diferentes para as mesmas situações; em algumas sociedades europeias, fruto de uma emigração pouco criteriosa no passado, existe uma combinação tóxica de guetos sociais, marginalização e desemprego que as transforma em viveiros do jihadismo.
      Por tudo isto, e pelo comprometimento das liberdades e da segurança colectiva, todos devem empenhar-se na análise e resolução de um problema que é comum, atacando as suas causas profundas, num diálogo intercultural que deve envolver o ocidente e o mundo islâmico. O objectivo deve ser abrir as mentalidades e modernizar o mundo islâmico, de modo a que este perceba quão utópica é a ideia de uma “ciência islâmica” diferenciada da ciência universal. Parte importante da iniciativa deve competir ao mundo muçulmano, o que tem de passar pela retirada do aparelho educativo das mãos dos religiosos, cujos efeitos não deixarão de reflectir-se numa progressiva secularização de todos os sectores da sociedade, desde a cultura à economia. Proceder de modo contrário, insistindo nas teocracias, é não fazer jus ao legado cultural muçulmano de outrora, em que pontificaram intelectuais e sábios de renome universal como Averróis, Avicena e Ibn Khaldun, entre muitos outros, que são hoje negligenciados, se não mesmo repudiados pelos fundamentalistas.
      Embora o quadro pessimista, a revelação feita por Fareed Zakaria sobre a preferência turística dos muçulmanos pode ser sinal de uma realidade social com mais peso futuro que o fundamentalismo de uns quantos seguidores de um Corão adulterado na sua versão original.
      Mas o importante é que o Espírito de Natal sobreviva a todos os atentados. Boas Festas para o Templário e seus leitores.

Tomar, Dezembro de 2018
Adriano Miranda Lima

(1) Arsénio de Pina refere-o no seu artigo “Do Islamismo Político-Terrorista”, de Setembro de 2018.
(2) Debate entre os cientistas políticos norte-americanos Martin Kramer e Robert Pape, em 08/11/ 2005, sobre o Terrorismo Islâmico.
(3) Texto da sua coluna intitulado “É preciso dividir o Islão para vencer”, publicado na revista Época, edição nº 480, Rio de Janeiro, em 30/08/2007.

sexta-feira, 23 de novembro de 2018
A BATALHA DE MONTES CLAROS E O SEU SIGNIFICADO NA ESTRATÉGIA DA RECONQUISTA DA INDEPENDÊNCIA DE PORTUGAL                                                       

                                                     

      A batalha de Montes Claros, ferida em 1665 no lugar alentejano conhecido por esse nome, foi a cartada final da estratégia militar portuguesa para a defesa da independência nacional. Longo fora o percurso iniciado no Terreiro do Paço em 1 de Dezembro de 1640, mas a decisiva vitória alcançada em Montes Claros conduziria ao acordo de paz entre os beligerantes.

      A vitória obtida nesta batalha foi, assim, o corolário de toda uma estratégia geral iniciada por D. João IV que, em crescendo, e tendo mais tarde à frente o 3º conde de Castelo Melhor e o conde de Schomberg, viria a aprontar Portugal com as condições necessárias para se poder opor, decisiva e energicamente, aos desígnios unificadores da Espanha.

      No âmbito da estratégia política interna, foi decisiva a política de afirmação da autoridade do monarca restaurador, em simultâneo com a recuperação económica e financeira do país levada a cabo com o lançamento do imposto de guerra e outras medidas paralelas. Não foi fácil vencer a oposição de indecisos, oportunistas e prosélitos remanescentes do rei de Espanha, que se manifestaram nos primeiros anos da Restauração, congeminando erupções conspiratórias. Por vezes, foi preciso usar de pertinácia e ductilidade táctica na relação com os sectores sociais mais influentes, em especial com a Igreja e a Inquisição, quando as prioridades do Estado colidiam perigosamente com interesses particulares ou quando a finalidade da repressão religiosa se confundia sub-repticiamente com objectivos inconfessáveis. 

      Reorganizou-se a estrutura de direcção política do Estado, na metrópole e no ultramar, e retomou-se gradualmente o controlo militar e administrativo de todos os domínios, à excepção de Ceuta, que nunca se recuperou. Se tivermos em conta a diferença abismal entre as tecnologias do mundo de hoje (projecção de meios militares em teatros de operações distantes, comunicações, transportes, etc) e os recursos disponíveis no século XVII, a acção empreendida por Portugal foi algo de verdadeiramente colossal, o que nos impele a reflectir sobre a tibieza e a frouxidão de ânimo que às vezes parecem tolher os nossos passos nos desafios da actualidade, tanto
mais quando, ontem como hoje, éramos um país de bem menor capacidade demográfica que os seus opositores, na disputa dos mesmos interesses.

      Mas a estratégia militar é seguramente a menina bonita do esforço realizado por Portugal ao longo da trajectória da Restauração. Partindo de uma situação de manifesta vulnerabilidade e de potencialidades diminuídas, foi preciso mobilizar a nação para pegar em armas e defender a sua independência contra um dos mais poderosos, experimentados e modernos exércitos da Europa. Portugal não possuía praticamente exército em 1640, pelo que foi preciso recuperar os alicerces das antigas estruturas institucionais para obrar um aprontamento militar à altura das circunstâncias. A luta pela defesa da independência foi um continuum de esforço e de vontade que atingiu o cume quando o notável estadista, conde de Castelo Melhor, tomou nas suas mãos as rédeas do país. Uma das cartadas decisivas foi a escolha do Alentejo como o teatro de operações onde tudo se decidiria, bem como a percepção da importância fundamental dos serviços do conde de Schomberg, cujo papel foi decisivo na modernização e actualização doutrinária do exército e na condução das batalhas finais e decisivas.         É certo que a Restauração ficou decisivamente a dever-se às elites sociais que nunca sentiram estiolar o seu amor pátrio e que, junto do seu Rei, fizeram a balança pender para o lado do Portugal livre, nos momentos em que alguns quiseram lançar a dúvida e semear o descrédito. Mas o povo anónimo, tal como já acontecera na revolução de 1385, foi uma constante de patriotismo e generosidade em todas as horas críticas, desde o Terreiro do Paço em 1 de Dezembro de 1640 ao campo de batalha em Montes Claros, em 1665. O patriotismo pode, em certas conjunturas, andar aos baldões no coração de certas classes sociais, mas na alma do povo é nas horas difíceis que esse sentimento ressuscita com mais vigor e energia.

      Neste novo século, os desafios que enfrentamos são incomparavelmente menos espinhosos do que os que arrostámos naqueles tempos dramáticos de outrora, quando o preço a pagar pela nossa indiferença ou pusilanimidade seria por certo a perda da independência. Hoje, as armas que queremos utilizar são para um campo de batalha diferente, porventura benigno mas nem por isso menos exigente, pois a vitória que almejamos é sobre a pobreza, o atraso e a ignorância. Hoje, a Espanha é um país vizinho com o qual não rivalizamos senão na porfia da inovação, do querer e da determinação, para construirmos, cada um a seu modo, sociedades humanas tão dignas e tão prósperas como as mais avançadas. Contudo, nesta encruzilhada para a construção do futuro, é importante ter sempre presente que as armas podem ser diferentes, mas a alma com que as brandimos em nada pode diferir daquela que agigantou os nossos antepassados naquele dia 17 de Junho de 1665 em Montes Claros.   

                                           

Adriano Miranda Lima

Condecorada Eu??...

segunda-feira, 12 de novembro de 2018



Pergunto-me a que propósito? Por que feitos valorosos? Apetece-me ironizar.
Estas interrogações surgem  pelo facto de ter lido na “net” a notícia (já há algum tempo, que ela aí circula como parte do meu “curriculum vitae”) inventada e acrescentada por outrem que não eu, de que eu fora condecorada.
Se há coisa que me provoca indignação é o enfeitar-se com penas de pavão, como sói dizer-se e no caso, de “latão”. Não, isso não constitui o meu género e nem faz o meu timbre.
Nunca fui condecorada. Que fique bem esclarecido!
Independentemente de ser avessa a certas e determinadas condecorações - mas isto é um problema meu - nada tenho e nem devo ter contra que outros o possam ou o devam ser.  Pelo contrário, algumas medalhas e diplomas são muito bem atribuídas.
Mas isto não é para aqui chamado a intrometer-se no que venho. E eu venho protestar contra a falsa notícia que circula na rede social de que eu fora condecorada.
 Na verdade fui contactada para esse efeito. Sim, fui. Há já mais de uma década. Precisando, nos inícios de 2000... Mas agradeci e recusei polidamente.
Aliás, creio eu, que os medalhados ou os condecorados de facto, ao longo do tempo, estão todos devidamente registados no “Boletim Oficial” do País. É fácil consultar. E o meu nome, felizmente, neles não consta.
 É bom repescar (rebuscar, lembrar) que as condecorações civis (dirigidas ao cidadão, ou a não militante do PAICV) só se verificaram aqui nas ilhas após a abertura democrática de 1990. Foi o Presidente da República Mascarenhas Monteiro, quem deu início à instituição de Ordens para o reconhecimento público do mérito de alguns cidadãos (a sociedade civil em democracia tem lugar.)  O que, na altura, foi uma novidade recebida com agrado. De facto, muito boa gente e merecidamente, recebeu esse reconhecimento de Cabo Verde.

Daí que muito agradecia ao autor da “brincadeira de muito mau gosto,” que retirasse ou emendasse tal falsa notícia.
E para que conste, as grandes condecorações que recebi e venho recebendo, têm sido as homenagens feitas por meus antigos alunos. E elas têm sido muitas, maravilhosas, gratificantes e tocantes!




O ensino do português em África vai mal e procuram-se soluções

quinta-feira, 8 de novembro de 2018


Com a devida vénia ao autor e ao Jornal «Público» aqui se publica também esta matéria de muito interesse para nós, falantes do português


Nuno Pacheco - Língua portuguesa*
O número de falantes da língua nos PALOP é bem menor do que apontam os números oficiais. Hoje e amanhã, no ISCTE, um congresso procura exemplos, dados concretos e soluções.
O título do comunicado parece um alerta vermelho: “O ensino do português nos PALOP está a falhar e só parte da população o fala.” E os números avançados não diminuem tal inquietação: em Cabo Verde, só metade da população falará português fluentemente; em Moçambique, “só 10% assumem o português como língua materna”; na Guiné-Bissau, só 15% falarão português; em Timor-Leste “eventualmente 25%”; escapará Angola, onde mais de 70% falam português porque a guerra os empurrou para as cidades.
Se não fosse tal intróito, talvez poucos reparassem no IV Congresso de Cooperação e Educação, que se realiza hoje e amanhã no ISCTE, em Lisboa, com especialistas de vários países. Organizadoras do congresso, as investigadoras Clara Carvalho e Antónia Barreto, do Centro de Estudos Internacionais do ISCTE, são mais comedidas do que o comunicado difundido pelo instituto. Não negam que a situação é grave, mas o que as move é a procura de soluções. “O português está em crescimento no mundo, mas o que se diz não corresponde aos números nem nunca correspondeu”, diz ao PÚBLICO Clara Carvalho.
Não serão, pois, os 280 milhões da propaganda oficial, mas é impossível obter números exactos. “Há estimativas, não há um estudo.” E as mais actuais são sempre as do The World Factbook, da CIA. “Eles multiplicam, relativamente ao último censo, pela taxa de crescimento populacional expectável.” Angola teve um censo em 2014 e Moçambique em 2017, embora os números deste ainda não estejam disponíveis. As outras estimativas são calculadas a partir das “taxas de literacia declaradas, baseadas no número de pessoas que vão à escola”. Pecarão por excesso ou defeito? Não se sabe.
Sabe-se, no entanto, o que dizem a experiência e a história. “Quando se chegou ao fi m do processo colonial, não havia, à parte algumas excepções, um sistema de ensino primário estabelecido”, aponta Clara Carvalho. Num território com taxas de analfabetismo e iliteracia elevadas, Portugal incluído, a situação não era homogénea.
“Em Angola, com a guerra, e com a grande movimentação de populações e de soldados, o português foi adoptado como ponto de contacto”, acrescenta a investigadora. Mas nas cidades apenas, não nas zonas rurais. Em Moçambique a situação é mais débil, com apenas 10% da população a assumir o português como língua materna. Já em São Tomé o panorama será melhor: “Os dialectos locais são também falados, mas o português é a língua franca.”
“Provavelmente o bilinguismo será solução, porque ele é assumido na prática”, defende a investigadora Clara Carvalho
Cabo Verde é, dizem as investigadoras, um caso à parte. “Pelo menos desde o século XIX há um sistema de ensino funcional, embora o crioulo tenha sido sempre, e continuará a ser, a língua franca.” Ali perto, na Guiné-Bissau, o caso complica-se: “Sendo uma colónia de ocupação, onde não havia grande contacto [dos colonos] com a população, o PAIGC instituiu o crioulo como a língua de contacto nacional, a língua da modernidade.”
A razão para os crioulos não terem sido logo adoptados como língua oficial após as independências residirá, nota Clara Carvalho, no facto de os dirigentes dos novos países serem “elites educadas em português”, que o adoptaram “numa perspectiva geopolítica”. Os crioulos não tinham expressão escrita oficializada, nem gramática, nem difusão internacional.
Ensinar em que língua?
Neste cenário, o que pode e deve ser feito? O congresso, sob o lema Cooperação e Educação de Qualidade, procura respostas. Antónia Barreto, que sublinha a importância do “apoio, grande, do Instituto Camões” para custear as deslocações de especialistas, diz que estes dias servirão para que fiquemos a conhecer melhor “os panoramas actuais e os desafios que esperam os sistemas educativos destes países”.
O bilinguismo será a solução? “Muito provavelmente, porque ele é assumido na prática”, responde Clara Carvalho. Com ressalvas: “Em sítios onde existe uma língua franca local, é muito fácil adoptá-la. Quando não há, promover o ensino das mais impactantes é ajudar a manter essas línguas e, eventualmente, na identificação dos jovens com o sistema de ensino.” Antónia Barreto dá, como exemplo da dificuldade de tal opção, a Guiné-Bissau: “Numa sala com 50 meninos, onde estão juntos manjacos, mandingas, fulas, ensina-se em que língua?”
“Há várias soluções”, insiste Clara. “Vamos ter cá o padre Luigi Scantamburlo [pedagogo italiano], que defende há décadas que se devia ensinar o crioulo como entrada para o português, algo que tem feito, aparentemente com sucesso.” Mas há outra via, que está a ser promovida pela UNESCO: “Colocar as crianças mais cedo na escola, para não abandonarem tanto. Habituá-las desde pequenas. E essa entrada deve ser feita com um misto das línguas maternas. Na Guiné, uma criança fula entrava na escola e aprendia em fula. Mas nós vimos uma experiência fantástica, de uma ONG [indiana] que está a trabalhar em aldeias fula no Sul, com crianças que não falam crioulo. O que têm? Professores que ganham três vezes mais e dispõem de uma formação à parte, com reuniões todos os meses e novos métodos pedagógicos. Aí vimos crianças a falar e a aprender em português.”
Antónia Barreto concorda: “Quando estão reunidas as condições, a aprendizagem do português faz-se relativamente bem. [Na Guiné-Bissau] as escolas dependentes de grupos religiosos, católicos ou protestantes, ou as madrassas, estão a funcionar. Já o sistema público está sem controlo e fica muito difícil que as pessoas aprendam alguma coisa.” Clara acrescenta: “Isto é mais caro, é verdade, mas o preço a pagar por aquilo que não se faz será muitíssimo superior ao que se pagaria se se conseguisse este nível para todas as escolas. Porque serão sempre crianças com uma escolarização deficiente, seja em que língua for.” E o empenho dos professores faz a diferença. “Têm de ver o seu trabalho como algo de gratificante.”
Do congresso, as duas investigadoras esperam algo de útil. Antónia deseja que estes dias contribuam “para a consciencialização de que os países têm de ter soluções ajustadas ao seu contexto”: “Tem de haver informação a nível multinacional, e apoios, mas não se podem impor agendas, soluções, cópias.” E há outro ponto que Clara quer ressalvar, o ensino de qualidade: “Não falo do melhor ensino do mundo, mas de qualquer coisa que não seja repetir o que o professor escreve no quadro (quando tem professor!) e dê competências para avançar.”
*”Público” de 08.Nov.2018



terça-feira, 6 de novembro de 2018

“1° lugar – ACÁCIA* 
De entre as plantas e as flores consideradas venenosas, a acácia ocupa o primeiro lugar, numa listagem hierárquica de cinco plantas e flores classificadas como as mais tóxicas. Sabendo que aqui nas ilhas, existe este tipo da acácia, decidi publicar a notícia, mais a explicação recebida de um perito na matéria.

Uma assassina em massa super especializada. A acácia desenvolveu uma estratégia para matar não só um, mas um grupo inteiro! Caso seja ameaçada, por um grupo de antílopes por exemplo, as suas folhas libertam gás etileno que serve de alarme para que outras acácias nos arredores percebam que existe ameaça. Assim, todas se juntam num contra ataque devastador e começam a produzir tanino em quantidade suficiente para matar todo o grupo!
Esta planta segue à risca o velho ditado: "A união faz a força"...*
  
*Retirada de uma mensagem  enviada pela minha prima Milena Ribeiro Pinto e Neto.


Curiosos, perguntámos ao nosso compadre e amigo António Advino Sabino - conhecido engenheiro agrónomo aqui das  ilhas - o que pensava  sobre a notícia que caracterizava a acácia como a mais venenosa planta conhecida.

E a pronta resposta foi a seguinte:

  
“(...) Há em Cabo Verde vários tipos de acácia. Acácias de altitudes como a acácia molíssima, acácia picnanta, etc. e, acácias de zonas áridas costeiras em que se destaca a nossa famosa acácia americana (Prosopis juliflora).

Em Cabo Verde existe esta planta de nome oleander (de nome cientifico, Nerum oealnder, salvo erro) que é uma planta altamente venenosa. Em Santo Antao é conhecida por “flor de querela”. Está espalhada em jardins publicos  por toda a parte mas a maior concentração encontra-se nos cemitérios.
Recordo-me que quando estava em Tucson-Arizona (EUA) duas crianças terem comido folha de oleander e  acabaram por falecer a caminho do hospital.
Fartei-me de chamar atenção para terem cuidado com a sua propagação em Cabo Verde, mas nunca se importaram. É uma planta muito resistente encontrando-se em toda a parte (jardins da Praça Nova, jardins da Praça Alexandre Albuquerque (frente ao antigo Cachito) e mesmo, nos jardins de casas particulares. Se calhar, alguém deve ter morrido por ingestão do oleander em Cabo Verde, sem se ter sabido a verdadeira causa da morte. (...)
  

 Um alerta para ser seguido pelos nossos plantadores da dita acácia...