Condecorada Eu??...

segunda-feira, 12 de novembro de 2018



Pergunto-me a que propósito? Por que feitos valorosos? Apetece-me ironizar.
Estas interrogações surgem  pelo facto de ter lido na “net” a notícia (já há algum tempo, que ela aí circula como parte do meu “curriculum vitae”) inventada e acrescentada por outrem que não eu, de que eu fora condecorada.
Se há coisa que me provoca indignação é o enfeitar-se com penas de pavão, como sói dizer-se e no caso, de “latão”. Não, isso não constitui o meu género e nem faz o meu timbre.
Nunca fui condecorada. Que fique bem esclarecido!
Independentemente de ser avessa a certas e determinadas condecorações - mas isto é um problema meu - nada tenho e nem devo ter contra que outros o possam ou o devam ser.  Pelo contrário, algumas medalhas e diplomas são muito bem atribuídas.
Mas isto não é para aqui chamado a intrometer-se no que venho. E eu venho protestar contra a falsa notícia que circula na rede social de que eu fora condecorada.
 Na verdade fui contactada para esse efeito. Sim, fui. Há já mais de uma década. Precisando, nos inícios de 2000... Mas agradeci e recusei polidamente.
Aliás, creio eu, que os medalhados ou os condecorados de facto, ao longo do tempo, estão todos devidamente registados no “Boletim Oficial” do País. É fácil consultar. E o meu nome, felizmente, neles não consta.
 É bom repescar (rebuscar, lembrar) que as condecorações civis (dirigidas ao cidadão, ou a não militante do PAICV) só se verificaram aqui nas ilhas após a abertura democrática de 1990. Foi o Presidente da República Mascarenhas Monteiro, quem deu início à instituição de Ordens para o reconhecimento público do mérito de alguns cidadãos (a sociedade civil em democracia tem lugar.)  O que, na altura, foi uma novidade recebida com agrado. De facto, muito boa gente e merecidamente, recebeu esse reconhecimento de Cabo Verde.

Daí que muito agradecia ao autor da “brincadeira de muito mau gosto,” que retirasse ou emendasse tal falsa notícia.
E para que conste, as grandes condecorações que recebi e venho recebendo, têm sido as homenagens feitas por meus antigos alunos. E elas têm sido muitas, maravilhosas, gratificantes e tocantes!




O ensino do português em África vai mal e procuram-se soluções

quinta-feira, 8 de novembro de 2018


Com a devida vénia ao autor e ao Jornal «Público» aqui se publica também esta matéria de muito interesse para nós, falantes do português


Nuno Pacheco - Língua portuguesa*
O número de falantes da língua nos PALOP é bem menor do que apontam os números oficiais. Hoje e amanhã, no ISCTE, um congresso procura exemplos, dados concretos e soluções.
O título do comunicado parece um alerta vermelho: “O ensino do português nos PALOP está a falhar e só parte da população o fala.” E os números avançados não diminuem tal inquietação: em Cabo Verde, só metade da população falará português fluentemente; em Moçambique, “só 10% assumem o português como língua materna”; na Guiné-Bissau, só 15% falarão português; em Timor-Leste “eventualmente 25%”; escapará Angola, onde mais de 70% falam português porque a guerra os empurrou para as cidades.
Se não fosse tal intróito, talvez poucos reparassem no IV Congresso de Cooperação e Educação, que se realiza hoje e amanhã no ISCTE, em Lisboa, com especialistas de vários países. Organizadoras do congresso, as investigadoras Clara Carvalho e Antónia Barreto, do Centro de Estudos Internacionais do ISCTE, são mais comedidas do que o comunicado difundido pelo instituto. Não negam que a situação é grave, mas o que as move é a procura de soluções. “O português está em crescimento no mundo, mas o que se diz não corresponde aos números nem nunca correspondeu”, diz ao PÚBLICO Clara Carvalho.
Não serão, pois, os 280 milhões da propaganda oficial, mas é impossível obter números exactos. “Há estimativas, não há um estudo.” E as mais actuais são sempre as do The World Factbook, da CIA. “Eles multiplicam, relativamente ao último censo, pela taxa de crescimento populacional expectável.” Angola teve um censo em 2014 e Moçambique em 2017, embora os números deste ainda não estejam disponíveis. As outras estimativas são calculadas a partir das “taxas de literacia declaradas, baseadas no número de pessoas que vão à escola”. Pecarão por excesso ou defeito? Não se sabe.
Sabe-se, no entanto, o que dizem a experiência e a história. “Quando se chegou ao fi m do processo colonial, não havia, à parte algumas excepções, um sistema de ensino primário estabelecido”, aponta Clara Carvalho. Num território com taxas de analfabetismo e iliteracia elevadas, Portugal incluído, a situação não era homogénea.
“Em Angola, com a guerra, e com a grande movimentação de populações e de soldados, o português foi adoptado como ponto de contacto”, acrescenta a investigadora. Mas nas cidades apenas, não nas zonas rurais. Em Moçambique a situação é mais débil, com apenas 10% da população a assumir o português como língua materna. Já em São Tomé o panorama será melhor: “Os dialectos locais são também falados, mas o português é a língua franca.”
“Provavelmente o bilinguismo será solução, porque ele é assumido na prática”, defende a investigadora Clara Carvalho
Cabo Verde é, dizem as investigadoras, um caso à parte. “Pelo menos desde o século XIX há um sistema de ensino funcional, embora o crioulo tenha sido sempre, e continuará a ser, a língua franca.” Ali perto, na Guiné-Bissau, o caso complica-se: “Sendo uma colónia de ocupação, onde não havia grande contacto [dos colonos] com a população, o PAIGC instituiu o crioulo como a língua de contacto nacional, a língua da modernidade.”
A razão para os crioulos não terem sido logo adoptados como língua oficial após as independências residirá, nota Clara Carvalho, no facto de os dirigentes dos novos países serem “elites educadas em português”, que o adoptaram “numa perspectiva geopolítica”. Os crioulos não tinham expressão escrita oficializada, nem gramática, nem difusão internacional.
Ensinar em que língua?
Neste cenário, o que pode e deve ser feito? O congresso, sob o lema Cooperação e Educação de Qualidade, procura respostas. Antónia Barreto, que sublinha a importância do “apoio, grande, do Instituto Camões” para custear as deslocações de especialistas, diz que estes dias servirão para que fiquemos a conhecer melhor “os panoramas actuais e os desafios que esperam os sistemas educativos destes países”.
O bilinguismo será a solução? “Muito provavelmente, porque ele é assumido na prática”, responde Clara Carvalho. Com ressalvas: “Em sítios onde existe uma língua franca local, é muito fácil adoptá-la. Quando não há, promover o ensino das mais impactantes é ajudar a manter essas línguas e, eventualmente, na identificação dos jovens com o sistema de ensino.” Antónia Barreto dá, como exemplo da dificuldade de tal opção, a Guiné-Bissau: “Numa sala com 50 meninos, onde estão juntos manjacos, mandingas, fulas, ensina-se em que língua?”
“Há várias soluções”, insiste Clara. “Vamos ter cá o padre Luigi Scantamburlo [pedagogo italiano], que defende há décadas que se devia ensinar o crioulo como entrada para o português, algo que tem feito, aparentemente com sucesso.” Mas há outra via, que está a ser promovida pela UNESCO: “Colocar as crianças mais cedo na escola, para não abandonarem tanto. Habituá-las desde pequenas. E essa entrada deve ser feita com um misto das línguas maternas. Na Guiné, uma criança fula entrava na escola e aprendia em fula. Mas nós vimos uma experiência fantástica, de uma ONG [indiana] que está a trabalhar em aldeias fula no Sul, com crianças que não falam crioulo. O que têm? Professores que ganham três vezes mais e dispõem de uma formação à parte, com reuniões todos os meses e novos métodos pedagógicos. Aí vimos crianças a falar e a aprender em português.”
Antónia Barreto concorda: “Quando estão reunidas as condições, a aprendizagem do português faz-se relativamente bem. [Na Guiné-Bissau] as escolas dependentes de grupos religiosos, católicos ou protestantes, ou as madrassas, estão a funcionar. Já o sistema público está sem controlo e fica muito difícil que as pessoas aprendam alguma coisa.” Clara acrescenta: “Isto é mais caro, é verdade, mas o preço a pagar por aquilo que não se faz será muitíssimo superior ao que se pagaria se se conseguisse este nível para todas as escolas. Porque serão sempre crianças com uma escolarização deficiente, seja em que língua for.” E o empenho dos professores faz a diferença. “Têm de ver o seu trabalho como algo de gratificante.”
Do congresso, as duas investigadoras esperam algo de útil. Antónia deseja que estes dias contribuam “para a consciencialização de que os países têm de ter soluções ajustadas ao seu contexto”: “Tem de haver informação a nível multinacional, e apoios, mas não se podem impor agendas, soluções, cópias.” E há outro ponto que Clara quer ressalvar, o ensino de qualidade: “Não falo do melhor ensino do mundo, mas de qualquer coisa que não seja repetir o que o professor escreve no quadro (quando tem professor!) e dê competências para avançar.”
*”Público” de 08.Nov.2018



terça-feira, 6 de novembro de 2018

“1° lugar – ACÁCIA* 
De entre as plantas e as flores consideradas venenosas, a acácia ocupa o primeiro lugar, numa listagem hierárquica de cinco plantas e flores classificadas como as mais tóxicas. Sabendo que aqui nas ilhas, existe este tipo da acácia, decidi publicar a notícia, mais a explicação recebida de um perito na matéria.

Uma assassina em massa super especializada. A acácia desenvolveu uma estratégia para matar não só um, mas um grupo inteiro! Caso seja ameaçada, por um grupo de antílopes por exemplo, as suas folhas libertam gás etileno que serve de alarme para que outras acácias nos arredores percebam que existe ameaça. Assim, todas se juntam num contra ataque devastador e começam a produzir tanino em quantidade suficiente para matar todo o grupo!
Esta planta segue à risca o velho ditado: "A união faz a força"...*
  
*Retirada de uma mensagem  enviada pela minha prima Milena Ribeiro Pinto e Neto.


Curiosos, perguntámos ao nosso compadre e amigo António Advino Sabino - conhecido engenheiro agrónomo aqui das  ilhas - o que pensava  sobre a notícia que caracterizava a acácia como a mais venenosa planta conhecida.

E a pronta resposta foi a seguinte:

  
“(...) Há em Cabo Verde vários tipos de acácia. Acácias de altitudes como a acácia molíssima, acácia picnanta, etc. e, acácias de zonas áridas costeiras em que se destaca a nossa famosa acácia americana (Prosopis juliflora).

Em Cabo Verde existe esta planta de nome oleander (de nome cientifico, Nerum oealnder, salvo erro) que é uma planta altamente venenosa. Em Santo Antao é conhecida por “flor de querela”. Está espalhada em jardins publicos  por toda a parte mas a maior concentração encontra-se nos cemitérios.
Recordo-me que quando estava em Tucson-Arizona (EUA) duas crianças terem comido folha de oleander e  acabaram por falecer a caminho do hospital.
Fartei-me de chamar atenção para terem cuidado com a sua propagação em Cabo Verde, mas nunca se importaram. É uma planta muito resistente encontrando-se em toda a parte (jardins da Praça Nova, jardins da Praça Alexandre Albuquerque (frente ao antigo Cachito) e mesmo, nos jardins de casas particulares. Se calhar, alguém deve ter morrido por ingestão do oleander em Cabo Verde, sem se ter sabido a verdadeira causa da morte. (...)
  

 Um alerta para ser seguido pelos nossos plantadores da dita acácia...



O que pode resultar da redução da qualidade de Ensino...

sábado, 27 de outubro de 2018



Um amigo enviou-me uma mensagem com os dizeres que a seguir transcrevo e que encimavam o portão de entrada de uma Universidade na África do Sul.
Trata-se de um aviso sério e grave, vazado em palavras simples e assertivas.
Ei-las:

UMA GRANDE VERDADE
 "Para destruir qualquer nação não é necessário usar bombas atómicas ou mísseis de longo alcance. Basta apenas reduzir a qualidade da educação e permitir que os estudantes 'cabulem' nos exames ."
Os resultados serão estes:
 “Os pacientes morrerão nas mãos de tais médicos.
Os edifícios desabarão nas mãos de tais engenheiros.
O dinheiro perder-se-á nas mãos de tais economistas e contabilistas.
A humanidade morrerá nas mãos de tais eruditos religiosos.
A justiça perder-se-á nas mãos de tais Juízes...
"O colapso da Educação é o colapso da nação."

Sem mais comentários.











domingo, 21 de outubro de 2018

Tão próximo e tão longe!
Vem isto a propósito da mais recente mensagem do Papa Francisco aos jovens.
O Sumo Pontífice da Igreja católica, incita os jovens a não se “desligarem” a não se alhearem daquilo que lhes é próximo e tão caro - no caso da mensagem papal, a Cristo, à Igreja, à missão que lhes foi confiada pelo criador - pelo facto de estarem permanentemente ligados ao mundo mais remoto, pela via das redes sociais.
Aproveitando as palavras do Papa, pode-se extrapolar o discursivo nelas contido, alargando semanticamente o seu alcance àquilo que se passa em casa, na familia, no quotidiano de muitos jovens.
De facto, tal situação  por vezes parece paradoxal. Há falta de diálogo em casa, em família, sobretudo da parte dos jovens, dos filhos, por causa da autêntica fixação no pequeno ecran do seu “smartphone” ou similar (perdoem-me a ignorância, neste capítulo, que vou conhecendo um pouco mais e melhor, quando os netos falam comigo sobre a matéria). O silêncio dialogal, a não conversa de viva voz, muita vezes só são cortados, à mesa, à hora da refeição conjunta em que alguns pais, (ainda bem que os há! Graças a Deus!) Proíbem terminantemente a presença perturbadora desses intrusos aparelhos na grande intimidade familiar que é a hora da mesa.
Voltando ao nosso querido Papa Francisco e à sua homilia aos jovens,  e a propósito de tudo tão aparentemente tão próximo, virtualmente, disse ele a determinada altura:
“ (...) Hoje para vós, queridos jovens, os últimos confins da terra são muito relativos e sempre facilmente «navegáveis». O mundo digital, as redes sociais, que nos envolvem e entrecruzam, diluem fronteiras, cancelam margens e distâncias, reduzem as diferenças. Tudo parece estar ao alcance da mão: tudo tão próximo e imediato... E todavia, sem o dom que inclua as nossas vidas, poderemos ter miríades de contactos, mas nunca estaremos imersos numa verdadeira comunhão de vida. (...).”
Mas já antes, por ocasião da celebração do Dia Mundial da Juventude, a 25 de Março, o Papa Francisco, exortara os jovens a que:"Não deixem, queridos jovens, o brilho da juventude se extinguir na escuridão de uma sala fechada, na qual a única janela para ver o mundo é o computador e o 'smartphone'"(...) - aconselhou.
E é essa “comunhão de vida”  nas palavras sempre tão oportunas e  tão sensatas de Francisco, que está alterada – quiçá! deturpada no seu sentido de maior humanidade, nos dias que correm -  também na família, entre pais e filhos,  entre irmãos, entre amigos, entre jovens que não dialogam uns com os outros, antes preferindo uma “maquineta” pelo meio a falar por eles e com eles, numa espécie de monólogo misantrópico.
 Ora bem, apesar de todo o manancial de informações positivas e também não positivas transmitidas pela facilidade de comunicação das redes sociais; infelizmente, por causa da fixação  juvenil obcecante  nisso,  estão a aparecer de forma galopante e ainda de efeitos a descodificar no porvir, sinais nefastos que se traduzem por exemplo, numa grande lacuna, numa grande falha comunicativa inter-familiar.
Aliás, falhas e lacunas comunicativas, que não se coadunam nem com a educação e nem com a comunhão, o diálogo e a solidariedade, que são traços  distintos e peculiares que devem caracterizar a família no seu todo.





domingo, 14 de outubro de 2018

Vejam bem como o Senegal cuida bem deste tesouro de comunicação internacional e de cultura que é nosso também, a Língua portuguesa. E nós aqui em Cabo Verde como a tratamos?... Uma questão estruturante para o nosso ensino.
O artigo é do Jornal guineense «O Democrata» e o seu autor António Nhaga.


SENEGAL É O PAÍS NÃO LUSÓFONO COM MAIS ESTUDANTES DA LÍNGUA E CULTURA PORTUGUESA


[REPORTAGEM] Quando o Infante Dom Henrique evocara as cinco razões de enviar 51 Caravelas portuguesas para conquistar a então Guiné-Portuguesa, actual Guiné-Bissau, em 1446, não previa que até hoje, 132 anos depois de Portugal ter cedido à França a região de Casamansa, a 13 de Maio de 1886, que aquela região de Senegal localizada ao Sul da Gâmbia e a Norte da Guiné-Bissau continuaria a ser a mais cosmopolita da República do Senegal onde a língua portuguesa é mais falada actualmente de entre os países não lusófonos.
Para o Infante Dom Henrique, a primeira razão da conquista da Guiné Portuguesa era a vontade de conhecer as terras que iam para além das Canárias e do Cabo Bojador; seguida por razões comerciais da troca de produtos; terceiro, por dizer-se, na altura, que o poderio dos Mouros daquela terra de África era muito maior do que comummente se pensava; a quarta era saber se haveria um Rei Cristão naquela zona de África Ocidental e a última era a expansão da fé cristã. Não visava, na altura, lançar semente para que a língua portuguesa perdurasse até hoje na região de Casamansa como um factor de resistência cultural dos casamansenses.
“A República do Senegal é hoje o país não lusofono onde há mais estudantes da língua portuguesa no mundo. Setenta (70%) por cento desses estudantes são da região de Casamansa”, afiançou ao DN o Formador de Professores de Português do Centro Regional de Formação das Pessoas da Educação (CRFPE) em Ziguinchor, o Professor Demba Thiam, que considerou “em virtude das nossas ligações históricas, culturais, linguísticas e religiosas com a Guiné-Bissau, muitos jovens de Casamansa optam por estudar a língua portuguesa nos Liceus, nos Colégios e nas Universidades” do Senegal.
Em todo o território Senegalês existem 48 mil estudantes da língua portuguesa e 400 Professores espalhados entre Liceus, Colégios e as Universidades. Dezoito mil (18.000) são da região de Casamansa (Ziguinchor, Kolda, Sédhiou e Bignona), onde a Língua Portuguesa é falada por alguns quadros superiores nas empresas e nos Departamentos dos serviços públicos.
Mas no olhar de Professor Demba Thiam não é o facto de Portugal ter cedido à França a Casamansa, em 1886, em troca com a aldeia de Cacine no Sul da atual Guiné-Bissau, que os casamansenses iriam abandonar o estudo da língua e da cultura portuguesa nquela região cuja capital, Ziguinchor, é localizada próximo do litoral e é a mais cosmopolita pela diversidade dos seus grupos étnicos: Djolas, Mandingas, Fulas, Manjacos, Mancanhas, Banhun e Seres.
“Não é porque Portugal terá cedido Casamansa aos franceses, em 1886, em troca da aldeia de Cacine, que nós os casamansenses vamos deixar de estudar a língua e a cultura portuguesa. Há aqui na região de Casamansa, jovens que têm famílias inteiras a viver na Guiné-Bissau e há uma ligação religiosa e linguística muito comum. Muitos têm o pai, a mãe e os irmãos a viverem na Guiné-Bissau. Temos também uma ligação religiosa e linguística muito comum. É necessário e imperioso apreendermos a língua portuguesa para podermos comunicar com a nossa família”, explicou Demba Thiam que testemunha que “na década de 1954, a língua espanhola era a mais procurada no Senegal”.
“Mas, a partir de 1972, quando um Professor guineense, Pinto Bull, com o apoio do então Presidente da República do Senegal, Leopold Sedar Senghor, instituiu na Universidade Cheik Anta Diop, em Dacar, o ensino da Língua e da Cultura portuguesas, o espanhol começou a perder força, passando o português a ser e até hoje, a primeira língua viva que os senegaleses escolhem para estudar nos Liceus, nos Colégios e nas Universidades” do Senegal.
Também Professor Adrien Modeste Mendy que ensina o português no Centro da Língua Portuguesa na Universidade Assane Seck em Ziguinchor, capital de Casamansa, rimou pelo mesmo diapasão: “a nossa proximidade cultural, religiosa, famíliar e linguística com a Guiné-Bissau são fatores que nos levam, quer aqui em Ziguinchor, nas Universidades em Dacar ou nas outras cidades do Senegal, a optar por estudar a Língua e a Cultura portuguesas”.
O ensino da Língua e da Cultura portuguesas ganhou outra dimensão e visibilidade no Senegal com a chegada, em 1998, vinda da Guiné-Bissau, de um leitor de Instituto Camões, José Manuel Horta, à Universidade Cheik Anta Diop, em Dacar. Foi a sua a ideia criar, na Universidade Assane Seck, em Ziguinchor, o Centro da Língua Portuguesa para dar mais visibilidade à cultura e a língua portuguesas na região  de onde são originários e oriundos os 70 por cento dos estudantes senegaleses que estudam a língua e a cultural portuguesas no Senegal.
“Na realidade este Centro é muito pequeno. Mas estamos apenas a começar. A ideia é de construir aqui um edifício com dois pisos e muito bem equipado com livros e projecção de filmes ao ar livre”, defendeu Adrien Modeste Mendy, sustentando que “não é o facto de não estar a viver agora aqui, em Casamansa, uma comunidade portuguesa, que vamos deixar de estudar a língua e cultura portuguesas. Temos muitas famílias que vivem na Guiné-Bissau. Eu próprio visitei, na semana passada, a minha família na região de Cacheu, na Guiné-Bissau. Portanto, temos a necessidade imperiosa de estudar a língua portuguesa para podermos comunicar com os nossos familiares que vivem na Guiné-Bissau”.
Por seu lado, o professor do Colégio Maientique de Ziguinchor, Mame Daonr Dabo, considerou que, para além da proximidade geográfica, cultural, religiosa e linguística com a Guiné-Bissau, também o facto de os professores que ensinam hoje a língua e a cultura portuguesa no Senegal serem quase todos eles jovens tem influenciado os jovens a optar pelo estudo da língua e da cultura portuguesas nos Liceus, nos Colégios e nas Universidades de Senegal.
“Para além da nossa proximidade geográfica, cultural, religiosa e linguística, também o facto de a maioria dos professores que ensinam hoje a Língua e a Cultura Portuguesa no Senegal serem muito jovens influência os jovens a estudar a língua portuguesa”, explicou ao DN Mame Dabo, concluindo: “também querem conseguir uma bolsa de estudos para estudar e aprofundar mais e melhor os seus conhecimentos em língua portuguesa, na Faculdades de Letras de Lisboa, para poderem ser intérpretes em língua portuguesa nas várias conferências internacionais que se realizam por todo o Senegal”.
VISIBILIDADE DA CULTURA PORTUGUESA NA CIDADE DE CASAMANSA

Há 132 anos depois de cedência, em 1886, por Portugal à França, quem visita hoje a cidade de Ziguinchor pode constatar que ainda se mantem viva algum patrimônio cultural, usos e costumes portugueses na capital casamansense. O mapa arquitetônico da cidade de Ziguinchor mudou muitos. Mesmo assim ainda se mantêm vivas e visíveis as marcas seculares dos vestigios da arquitectura portuguesa na cidade de Ziguinchor.

Quase todas as casas da parte velha da cidade, junto ao Porto de Ziguinchor, ainda apresentam vestígios da arquitectura portuguesa. Os jardins da mesma zona da cidade apresentam marcas seculares de usos e costumes dos portugueses, a semelhança dos jardins da praça do império e Honório Barreto na Guiné-Bissau.
Com 32.350 kilométros quadrados, Casamansa tem uma vasta reserva de petróleo na sua zona marítima, o que está na origem de várias facções armadas que combatem desde 1982 pela independência da região, do Senegal. Em 2004, sob a batuta do então governo da Gâmbia liderada na altura pelo Presidente Yaya Jammeh, as várias facções assinaram um acordo de paz que morreu logo depois da sua assinatura.
Hoje, a esperança e a expectativa da população de Casamansa reside no novo processo de negociações que a comunidade de Santo Egídio da Itália vai encetar brevemente entre o governo de Dacar e as várias facções de rebeldes de Casamansa. Mas, a esperança e expectativa da população casamansense poder ser muito exígua, uma vez que as facções de César Badiate, de Compasse Djata e de Fatoma Couly alegam ainda não terem sido contatadas pela Comunidade Santo Egidio.
“Nós ainda não fomos auscultados pela Comunidade Santo Egidio. Porém ouvimos dizer que os seus membros estão a negociar com o grupo do Comandante Salif Sadio”, explicou ao DN Pape Djata, da facção do Comandante Compasse Djata, sustentando de seguida que “nós estamos aqui na nossa barraca à espera que nos contactem para o processo negocial. Acho que devem contar com todas as facções armadas e sociedade civil casamansense. Ao invés disso, não vejo como é que a Comunidade Santo Egídio conseguirá um acordo que traga a paz duradoura na região de Casamansa”.

 Por: António Nhaga


sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Educação – um sector prioritário

Este País, sem quaisquer recursos, só pode apostar na Educação. Uma Educação de qualidade. De onde sairão seguramente elites. O resto virá depois pelas mãos das elites altamente educadas saídas desse processo. Não tenhamos medo de falar em elite, um núcleo de saberes e competências. Qualidade no Ensino não é um slogan, à boa maneira dos países comunistas, e acontece. Tem de ser um desígnio. Requer organização, um recrutamento apertado de professores com testes de domínio da língua – não esquecer que toda a bibliografia de suporte do Ensino é em Português – e da área da sua competência e não essa amálgama que hoje temos de quem não tem outra saída, vai para o ensino; e, só se basta num sistema totalmente virado para a meritocracia.
São os professores que definem a qualidade do Ensino. Não se pode ter qualidade com professores medíocres nem com políticos que reduzem os problemas da Educação/Ensino à escala sindical – carreiras e salários.
Em vez de estarmos a perder tempo com nacionalismos mesquinhos em saber se o ministro da educação é francês, inglês ou chinês, devemos indagar antes pelo seu perfil: Se mostrou conhecer bem o País e a sua gente; se tem visão estratégica do que o País realmente precisa para o seu desenvolvimento; se tem força política para implementar a sua estratégia; e ainda se tem coragem para enfrentar os incidentes que derivem da incontornável mudança de paradigma dada a situação caótica e vergonhosa hoje existente, em que temos doutores que mal sabem escrever o português. Não pode ser apenas um alto funcionário, um bom técnico. Tem de ser, fundamentalmente, um excelente político.
Não vale a pena estarmos a falar de portos de águas profundas e aeroportos para todas ilhas, porque isto na maioria dos casos é precisamente falta de estratégia – o caminho mais simples – e pura demagogia. E muito menos da fantasia do “hub” com um fortíssimo concorrente colado a nós com uma vantagem que nos faz perder toda a ilusão: está ligada por terra – camiões – a todo o continente africano.
Sem uma aposta séria na Educação/Ensino vamos continuar sempre com a mão estendida…
Pediste-me uma opinião resumida, aqui a tens.

A. Ferreira