Por Ludmila Rodrigues Ferreira
Já
madrugada do dia 18 de Maio de 2026, uma segunda-feira de trabalho, depois de
ter assistido ao discurso de derrota do ainda Primeiro-Ministro de Cabo Verde,
discurso esse que me pareceu, naquele momento, normal e de acordo com as mais
elementares regras da Democracia, e que poderia ser de um derrotado de um
qualquer outro país democrata, tornou-se sublime e soberbo, após
desgraçadamente ter ouvido o vencedor, e meu (sublinho) futuro
Primeiro-Ministro!
Felizmente,
não estava ao pé de amigos angolanos, a quem eu teria que traduzir aqueles
ditos, e que me estão sempre a gabar a maturidade da democracia
cabo-verdiana, que, a meu ver, só é tão bradada devido à excepcionalidade de
existência de estabilidade e de democracia plena em África!
Posto
isto, deparo-me não com um futuro Primeiro-Ministro, mas sim com um líder
partidário, a lembrar-nos que afinal ainda estávamos em eleições, e não como
havia dito o Primeiro-Ministro, em que as eleições haviam terminado, e que a
vida continuaria retomando ele no dia seguinte o seu footing matinal − maior sinal de normalidade, impossível!
O
discurso de Vitória, em que todos os líderes, conhecedores das mais
elementares regras de boa educação, torna-se, como sempre aconteceu com outros
discursos, e em outras eleições cabo-verdianas, o aglutinador, o PM de todos,
sem exceção; este não! Fez questão de mostrar que continua sendo um líder
partidário num discurso de comício, de divisão dos cabo-verdianos, utilizando
uma linguagem da mais deselegante e brejeira alguma vez vista, que aliás é o
seu timbre, razão por que os seus memes têm tanto sucesso!!
Mas eu, enganadamente, esperava mais! Esperava um homem de Estado, um discurso
com respeito por aqueles que Não votaram nele, e que foram Muitos!
Mas
lá está, é a Democracia do século XXI plena a funcionar, com os "políticos
dos memes, do tik-tok e dos reels", sem qualquer pensamento estruturado,
vazios e populistas, a serem os escolhidos!
São
os novos tempos da Civilização do Espetáculo, como escreveu Mário Vargas Llosa.
É
assim que o Povo escolhe o presente, sem pensar no Futuro do país!
Mas
também tal só deve acontecer, se calhar, porque o Povo acredita, lá
está, no imediato, que não tem futuro!
Conclusão:
Foi, sem dúvida, o discurso do V, mas não da Vitória, e sim da Vergonha!
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