sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
Uma nota explicativa ao leitor: O texto que se segue foi retirado de uma correspondência trocada com o meu ilustre amigo Coronel Adriano Miranda Lima, homem de lides intelectuais é nesta linha um arguto e fino analista das coisas e das gentes destas ilhas, com realce e enfoque para as de barlavento.
Ora bem, porque achei deveras interessante o seu conteúdo, alguma reposição da verdade (nunca é tarde) sobre o perfil de Antero Marques Simões, antigo Reitor e professor do prestigiado Liceu de Gil Eanes, vai aqui publicado.
A segunda parte, oriunda do mesmo remetente é uma entrevista, para nós inédita, conduzida pelo antigo professor do Liceu, referido na primeira parte, ao grande escritor cabo-verdiano e filósofo, António Aurélio Gonçalves. O assunto versou "Eça de Queirós." O diálogo desenrola-se num passeio dos dois colegas professores, pela bonita cidade do Mindelo dos anos 60 do século XX. A devida vénia ao autor para a transposição do texto do livro, «O meu irónico e trágico Eça de Queirós» 

I
Antero Marques Simões – Reitor do Liceu de Gil Eanes

(,,,) É esse mesmo, Ondina. Antero Marques Simões, de seu nome completo, nascido em 1930, na Póvoa do Varzim. Vou falar de alguns antecedentes e explicar o contexto em que, há 1 mês, voltei a ter contacto com ele, depois da sua saída de Cabo Verde.
Como eu disse no outro “mail,” alugou o rés-do-chão, mobilado, do prédio dos meus avós paternos e onde estes viviam. Esta circunstância propiciou um contacto mais pessoal entre mim e ele. Tinha eu 15 anos quando, em 1959, o professor chegou a S. Vicente com a esposa, Maria das Dores, luso-brasileira.
 O Dr. Antero foi meu professor de português no 5º ano e julgo que também no 4º ano, ou parte dele. Tratava-me com amizade e dizia aos meus avós que o Adriano era bom aluno de português, coisa que seguramente eu não era, mas mais por desleixo do que por aptidão natural. Foi professor de português, latim e grego dos meus colegas (poucos) que mais tarde optaram para a área de letras, o que não foi o meu caso.
Creio que tudo lhe correu bem até ser nomeado reitor e em simultâneo encarregado da Mocidade Portuguesa (MP) local, cargo que desde logo serviu para as más-línguas o associarem à PIDE. Mas julgo que não havia qualquer fundamento para essa suspeição. Era, sim, um patriota convicto e não disfarçava o seu salazarismo (manutenção do império colonial), que ainda hoje assume sem qualquer problema. Foi a imposição que ele começou a fazer da obrigatoriedade de frequentar a MP que, julgo, viria a entornar o caldo, criando algumas anticorpos entre alguns alunos e originando a tal suspeição de ligação pidesca. Eu, por exemplo, nunca tinha posto os pés na MP porque não me sentia identificado com aquilo. Mas, a partir dos 18 anos, transitava-se para  o escalão da chamada Milícia (da MP), em que se ia ao quartel aos sábados à tarde para aprender alguns rudimentos da coisa militar (ordem unida, manejo de arma, etc.). Acontece que o encarregado da MP tornou a Milícia uma obrigação incontornável, sob pena de perda de ano por faltas, pelo que a partir daí não tive outro remédio senão cumprir a imposição.
O Dr. Antero Simões não viria a completar o seu mandato como  reitor porque houve uns problemas, com ou sem fundamento suficiente, que nunca cheguei a perceber. O que espoletou o processo da sua saída terá sido, penso eu, um incidente ocorrido frente ao liceu, depois de um aluno  ter cometido, horas antes, e premeditadamente, uma irreverência qualquer à porta do edifício, o que impediu a abertura do estabelecimento ao horário habitual. Isso ocasionou grande confusão no exterior do edifício, com alguns alunos a lançar palavras de ordem contra o reitor e a clamar o nome de um professor cabo-verdiano. Tanto serviu para que quem de direito mandasse abrir um processo de averiguações em que os alunos do 7º ano foram ouvidos. Eu fui um deles, mas nada disse de útil e conclusivo porque, efectivamente, para além da confusão a que assisti ao chegar ao liceu, estava a leste dos acontecimentos. E é óbvio que nada me movia contra a pessoa do Dr. Antero Simões. Pelo contrário, tive sempre provas da sua consideração para com a minha então jovem pessoa.
 O Dr. Antero Simões era uma pessoa extrovertida, espontânea e alegre, ao contrário, reconheça-se, de outros seus colegas cabo-verdianos, que eram mais sisudos e pouca confiança davam aos alunos. A impressão com que fiquei enquanto seu aluno é que ele era um excelente professor na sua área de formação, e o trabalho literário por ele produzido confirma-me agora a sua envergadura como homem de letras. O que admira é ele não ter ascendido à docência universitária.
Hoje, com a idade e a experiência de vida que tenho, convenço-me de que o professor terá sido vítima da conjugação de vários factores que prejudicaram o curso normal da sua carreira no Liceu Gil Eanes: a sua natureza sincera e extrovertida (e possivelmente imprevidente) na relação com as pessoas; o exercício do cargo de reitor em idade muito jovem, o que de facto até surpreende porque havia colegas mais antigos e de maior idade; a natural especulação sobre a relação entre essa escolha e o facto de ele ser “metropolitano”, como então se designavam os portugueses do continente; o agravante, ainda, da acumulação com o cargo relativo à MP, com todas as conotações políticas que isso poderia suscitar, e, penso, suscitou, até porque ele não escondia a sua identificação com a política do então chamado Estado Novo. Ainda hoje, mantém as suas antigas convicções sobre um “Portugal uno do Minho a Timor,”  criticando a forma precipitada e desastrada como foi feita a descolonização, e lamentando que  Cabo Verde não tenha continuado ligado a Portugal, e a este respeito cita estas palavras do poeta José Lopes, que ele muito admira: -“Se, por qualquer estranha hipótese, estas Ilhas onde nasci e que tanto amo, deixarem de ser portuguesas, preferia que um cataclismo as devolvesse de novo ao fundo do mar donde vieram apenas para serem portuguesas”.
No entanto, julgo que não é lícito que as  convicções políticas que assumia, aliás, partilhadas então pela quase generalidade dos portugueses, interfiram com o nosso juízo sobre a sua grande qualidade pedagógica e a visível dedicação que punha no seu ofício. Recentemente, disse-me que era sensível aos problemas de cabo Verde e das suas gentes e que esteve sempre disponível para ajudar em tudo o que podia, tendo dado aulas particulares grátis de grego e latim a alunos que não podiam pagar, citando-me até o nome de um ilustre e muito conhecido cidadão cabo-verdiano, que era já adulto e ajudou na preparação para o ingresso no ensino superior. Contou-me ainda que o seu sentimento de amizade e identificação com Cabo Verde era tanto que, quando foi responsável pela MP, a esposa, Maria das Dores, confeccionava de boa vontade peças de fardamento para os rapazes que não tinham meios para a sua aquisição.
Bem, voltemos atrás. Como reencontrei o Dr. Antero Simões?
Ora, há coisa de uns 2 meses, um colega de liceu daquele tempo me disse que viu no facebook o lançamento de um livro por um tal Dr. Antero Simões. Perguntava-me se não seria o antigo professor.  Averiguei e concluí que era ele mesmo, o que para mim foi uma surpresa… agradável. E porquê? É que há uns anos tinha perguntado ao Nuno Miranda, primo direito do meu pai, se  sabia alguma coisa do professor, e respondeu-me que, salvo erro, ele teria falecido.
Sabendo-o, afinal de contas, vivo, e por sinal com boa aparência física, conforme mostrava uma foto a acompanhar a notícia, tencionei logo estabelecer um contacto, porque a memória dos meus antigos professores é algo que guardo sempre com carinho, seja qual for a impressão que me tenham deixado. A profissão de professor é das mais nobres, mas muitas vezes só com o amadurecimento nos apercebemos da importância que representaram na nossa formação e afirmação como seres humanos.
Enviei um mail para o director da biblioteca da Póvoa de Varzim, onde o livro fora apresentado, a pedir-lhe o contacto dele, deixando o número do meu telemóvel. Dias depois, qual não foi a minha surpresa, recebo em casa um telefonema de alguém que propositadamente não se identificou logo e, em tom de quem preparava uma surpresa, me perguntava se eu era o Adriano, se era o neto da dona Arcângela Miranda, o sobrinho da Francelina, etc., etc. À primeira, pensei ser alguém de Cabo Verde, mas o sotaque tinha ligeiro toque nortenho, pelo que não fazia a mínima ideia de quem se tratava. Então ele lá finalmente se identificou, deixando-me sem palavras. Fez-me um relatório verbal de todo o seu percurso desde a saída de Cabo Verde, e não deixou de me manifestar as saudosas lembranças que sempre guardou de S. Vicente, mencionando nomes de pessoas com quem ainda se relaciona, etc. Disse que  gostaria de ver este seu antigo aluno e que o quer ver no lançamento do seu próximo livro em Lisboa, que julgo ser um livro de memórias. Prometeu (e cumpriu) enviar-me por correio o seu último livro lançado e que se chama “O meu polemista e patriota Eça de Queirós”, que é uma obra de 538 páginas. Antes deste publicou “O meu irónico e trágico Eça de Queirós”,  que contém um diálogo interessante e de grande valor literário entre ele e o Dr. Aurélio Gonçalves, acerca daquele escritor. Fiquei então a saber da sua grande admiração por Eça de Queirós, seu conterrâneo da Póvoa do Varzim.
Ele designa-o como “entrevista” ao Aurélio Gonçalves, mas percebe-se que é no sentido figurado que o diz, pois é mais propriamente um diálogo literário. E, em boa verdade, o entrevistador é simultaneamente o entrevistado, e se fez questão de convocar e fazer presente o  “espírito” do seu antigo colega, é porque soube preservar o que dele outrora ouviu, mas que nesta construção resulta como adjuvante de um diálogo que é apenas figurado,  já que o “espírito” Antero Simões é o verdadeiro autor das ideias em confronto e da dialéctica produzida. No entanto, como conhecemos bem o Aurélio Gonçalves, é bem nítido que o discurso que ele  lhe empresta tem toda a credibilidade  para ser da lavra intelectual do nosso antigo e saudoso conterrâneo. E releve-se a homenagem que ele assim lhe presta. Tive gosto em saborear cada transe do discurso e da diegese, mas isso é assunto para a lavra de especialistas. Relembro que o texto é um capítulo do livro que ele escreveu e lançou em 2013 intitulado “O meu irónico e trágico Eça de Queirós”.
Mas o Dr. Antero tem tido uma vasta e constante actividade literária, tendo publicado os seguintes livros até agora:
– Nós somos todos nós (em 4 volumes).
– Camões, Pátria, Mundo.
– Opúsculos vários, imprensa dispersa.
– Os deuses e os homens de Leonardo Coimbra.
– Antero de Quental – Redivivo.
– Universos de Sol e Mar – poemas.
– Fernando Pessoa – Emissário e transeunte.
– Memórias de mim – Histórias de nós.
– O meu irónico e trágico Eça de Queirós.
 – O meu polemista e patriota Eça de Queirós.
E falta o próximo, a lançar em Março.
Enfim, o nosso homem não pára e ostenta uma boa aparência e forma física aos 84 anos. Disse-me que aprendeu ténis em S. Vicente, graças à ajuda do guarda do clube de ténis local, por sinal bom praticante da modalidade, e que pela vida fora nunca mais deixaria o ténis, tendo conquistado vários troféus nacionais e internacionais nas respectivas classes etárias em que competiu.
Passados mais de cinquenta anos, o velho professor lembra-se do nome de muita gente de Cabo Verde, pergunta por este e por aquele, e não esconde as saudades de uma terra onde, confessa, ele e a mulher se sentiram bem,  como se estivessem em casa. Mas nota-se uma indisfarçável amargura quando recorda o episódio da sua demissão do cargo de reitor, que ele atribui a uma acção empreendida por pessoa que não gostava dele ou não concordava com os seus métodos. E rematou assim: “Quem te mandou meter em assuntos de mando, Antero, se a tua verdadeira vocação é ensinar e formar jovens? …”. Contudo, diz que teve uma boa relação com a maior parte dos colegas, em especial com o Dr. Aurélio Gonçalves, que considera um intelectual de alta estirpe e uma notável personalidade, não sendo por acaso que o evoca no seu livro “O meu irónico e trágico Eça de Queirós”. Além do mais, percebe-se que nutria pelo colega cabo-verdiano grande carinho e respeito.
No mais, acresce ainda dizer que o Antero Simões é uma pessoa humilde, simples e sincera, em síntese, uma boa pessoa. Na relação com esses meus avós que as circunstâncias proporcionaram, fez questão de confessar que era filho de pessoas de origem humilde, o pai, alfaiate, e um dos avós, pescador. Ora, sabemos que não era muito comum um professor de liceu “metropolitano” chegar a uma terra estranha, para mais colónia africana, e fugir à regra do exibicionismo bacoco de pergaminhos sociais muitas vezes inexistentes.
Tive muito prazer em retomar o contacto com o meu antigo professor, e o mesmo sentimento nutrirei pelo reencontro com todos os que ainda estão vivos.
Peço desculpas à Ondina por esta longa e saturante narrativa, mas a culpa é do gosto que me dá falar dos meus antigos professores, e ainda por cima quando a interlocutora é uma professora. Espero ao menos que a leitura do diálogo entre o Dr. Antero e o Dr. Aurélio a compensem desta extensa missiva.




14 comentários:

Ana Silva disse...

Lembro-me deste professor metropolitano. Ensinava muito bem e era simpático para os alunos.

Adriano Lima disse...

A oportunidade desta minha colaboração com a autora deste blogue, S.ª Dr.ª Ondina Ferreira, só se proporcionou pela mera casualidade de ter acontecido o meu reencontro com o Dr. Antero Marques Simões, volvidos mais de cinquenta anos desde que ele foi meu professor de Português no antigo liceu Gil Eanes. Contudo, um reencontro desta natureza, embora sempre emotivo quando é com um antigo mestre, pode não passar de um simples registo na indiferença do nosso quotidiano se a pessoa não nos tiver deixado uma marca proeminente na memória.
No caso em apreço, o tempo e o silêncio de mais de cinquenta anos não abafaram a boa lembrança que sempre conservei do mestre de excelentes qualidades pedagógicas e do ser humano sensível, amigo e comunicativo.
A história das nossas vidas é, fundamentalmente, um repositório de afectos e afinidades em meio a incompreensões e desenlaces, sempre ao sabor das subjectividades individuais na adesão às escolhas que a vida oferece ou disponibiliza. O Dr. Antero Simões adorou S. Vicente e as suas gentes, um meio pobre que não estranhou porque, oriundo de famílias modestas, sentia-se “em casa” e em perfeita comunhão partilhando os problemas e as dificuldades das pessoas. Por um desentendimento qualquer, mal esclarecido, deixaria o cargo de reitor do liceu não muito tempo depois de o ter assumido, tendo sido transferido para Luanda. Isto é uma mágoa que, percebe-se bem, nem com o tempo conseguiu digerir, mas diz que tem a sua consciência em perfeito repouso, e se alguma coisa pode questionar é se a sua juventude (32 anos) era boa conselheira quando assumiu esse cargo. E então desabafa assim: - Quem te mandou meter em assuntos de mando, Antero, se a tua verdadeira vocação é ensinar e formar jovens?
Conta que por todo o lado aonde o levou a sua actividade de docente, fez e deixou muitos amigos, inclusivamente em S. Vicente, conservando na sua invejável memória nomes de colegas e alunos.
Foi gratificante o meu reencontro com o antigo mestre.

Anónimo disse...

É uma atitude nobre repor a verdade quando ela é deturpada, o que parece ter sido o objectivo deste blogue. Conheci o dr Antero no liceu Gil Eanes mas não chegou a ser meu professor. Lembro-me dum incidente que motivou a sua saída da função de reitor mas desconheço o que aconteceu. Tinha uma alcunha como é costume pôr alcunhas e nominhos em Cabo Verde a toda a gente por tudo e por nada.

Maria do Rosário

Aluno anónimo disse...

Lembro-me deste drº Antero Simões, que chegou a reitor e foi igualmente encarregado da antiga "mocidade portuguesa". Lembro-me também do Adriano Miranda, que era aluno mais à frente de mim uns 2 anos. Bons tempos que já lá vão. Alguns embirraram com o Dr Antero por causa da "mocidade, mas o facto é que muitos alunos faziam gala em mostrar a sua fardinha e chegarm a comandantes de castelo, falange etc.

Anónimo disse...

Enalteço a nobreza dos meus patricios Dra. Ondina (que muito admiro) e o Coronel Miranda Lima (por quem tenho muita estima) que em boa hora sairam a verdade para que o silêncio não continue a cama da mentira.
Jom de Nha Maninha

Sérgio disse...

Tenho dado voltas à cabeça mas não estou a ver quem era este professor, talvez por ter frequentado a Escola Técnica e não liceu. Eu também concordo que todos temos uma dívida com os nossos professores, que talvez só não obriga os cábulas e os que não têm educação caseira. Os meus parabéns à preciosa Doutora Ondina Ferreira, que é pessoa de grande valor e que muito considero.

Sérgio

Anónimo disse...

Achei interessante esta conversa sobre o Dr. Antero Simões. Ele não foi meu professor mas, na altura, indignei-me contra a
maneira como fora tratado por determinados "voluntarios do Liceu" Até o chamaram de semente de manga,!

Aquele abraço, com muita amizade, para os autores desta recomposição da verdade. Estou inteiramente de acordo com tudo.

Jorge Boavida disse...

Tenho a dizer que o Dr. Antero Simões é daqueles professores que deixam marcas indeléveis no seu percurso. Conheci-o em Angola, onde deixou as mais saudosas lembranças entre os seus alunos. Homem da pena sempre soube que era, mas não sabia que tinha tido tamanha produção literária.

Adriano Lima disse...

Na minha alusão à crença do Dr. Antero Simões num "Portugal uno do Minho ao Timor" corro o risco de uma interpretação algo subjectiva e que poderá até conter uma inconfidência, dado que à luz dos tempos actuais essa posição é comumente tida como retrógrada e contrária à História. Daí dever esclarecer que essa minha afirmação se deve a ter ouvido do Dr. Simões a sua mágoa por uma descolonização precipitada e mal conduzida que foi causa de ruína, morte e desgraça para muita gente, incluindo as próprias populações africanas das colónias. O que eu entendo dever sublinhar, quiçá esclarecendo, é que o Dr. Antero Simões acredita que seria possível um Portugal onde todos fossem iguais, independentemente da raça. Em suma, ele acredita nas virtudes de uma portugalidade entendida no sentido mais humanista e humanizante do termo. Diria que se outros tivessem o seu coração puro e limpo talvez o sonho pudesse ter sido uma realidade.

Adriano Lima disse...

Testemunhos constantes do prefácio do último livro deste autor: O Senhor Doutor, além de prosador (do pensamento pensante como dizia meu avô), é magnífico historiador, sociólogo, biógrafo, e tem raras capacidades de investigação, o que, aliás, eu já tinha notado em obras anteriores. É espantosa de facto a informação que recolheu ao longo das suas investigações, e agradável e elegante a escrita com que no-la dá.
Isto o que, de chofre, posso lhe dizer; vou agora ler o seu Eça de Queirós pausadamente e aprender mais alguma coisa com o Professor que
o Senhor sempre foi. E que deixou discípulos e admiradores do seu constante trabalho de ajudar os outros a subir à cultura e à inteligência. Com admiração, Leonardo Coimbra (neto), jurista.

Adriano Lima disse...

Outro testemunho entre inúmeros deles:
A oportunidade de se dar fé da memória que se tem de um antigo professor é mais do que um singelo e sentido agradecimento. A evocação torna-nos presente o que de significativo ficou gravado, não tanto a formação académica prestada com excelência e recebida com algum aproveitamento nas aulas da Língua Pátria do primeiro ciclo dos liceus, mas principalmente os exemplos de inteireza de carácter, porte e atitude desassombrados e capacidade de decisão próprios de um príncipe.
Tal foi o seu legado e a impressão que deixou na mente jovem do então aluno. Quase seis décadas após ter sido aluno do Professor Antero Simões, é com orgulho que o afirmo. Victor Martins Jorge, jurista, ex-aluno.

Adriano Lima disse...


Outro testemunho de uma antiga aluna:
O meu contacto com os livros do Dr. Antero Simões, além do prazer de voltar a ter o contacto com o meu professor de Liceu Diogo Cão, em Angola, permitiu-me o privilégio de ter sido sua aluna. Apesar de todas as teorias barthesianas da "morte do autor" que me foram inculcadas na universidade e que, eu própria, veiculei como professora, nunca aceitei, como verdade inquestionável, a existência do autor fora do texto. Os livros do meu professor Antero Simões, marcados pela perspectiva bibliográfica dos autores que estuda, mais do que a reconstituição social e política para explicar as relações com a obra literária, presentificam os escritores quando relatam curiosidades da sua vida ou relatam fotografias de lugares e objectos a ele associados. Ao contrário do que acontece em Memórias de mim-Histórias de nós, em que o autor convoca o passado para o remomerar, a invocação do passado nos livros sobre autores que estuda serve para nos aproximar deles, para os presentificar. Foi o que realizou no seu último livro, com brilho e com originalidade assinaláveis. Ana Maria Lucas, romanista, ex-aluna.

Mário Fortunato de Almeida disse...

Calhou abrir este blogue e encontrar estas opiniões sobre o professor e escritor Antero Simões. Tenho a honra de o conhecer e só posso sentir-me feliz por ver o justo reconhecimento do valor do homem, do professor e do escritor. Ele é dos que mais investigaram e escreveram sobre o Eça de Queirós, um escritor que será sempre merecedor de estudo e ensaio.

Anónimo disse...

Emocionou-me ler este post e saber do valor deste professor e homem de letras. Isto é gratificante numa era em que os professores estão a ser maltratados e incompreendidos pelo governo sob a impassividade da sociedade. Sou uma professora e sei do que falo.
Cumprimentos
Ana Conceição, Portugal.

Enviar um comentário