"Façam um Reformatório na ilha de Santa Luzia (?)..."

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

E levem para lá, todos esses malfeitores e assaltantes, adolescentes e jovens que já tomaram conta da nossa cidade!”
Foi assim que gritou indignada e desesperadamente, aos microfones da comunicação social, uma cidadã, residente na capital do país.
De facto, isto já chegou a um ponto em que já não há mais argumentos justificativos para tamanha insegurança e tamanha violência que grassa a cidade da Praia!
Isto já atingiu um nível insuportável!
Infelizmente, o assunto tornou-se recorrente na rádio, na televisão, nos jornais.
Diariamente somos flagelados, ouvindo notícias trágicas em que as vítimas são sobretudo, mulheres. Assaltadas, agredidas, violadas e até assassinadas, em plena luz do dia, na via pública, à saída de casa, nas compras, no regresso do trabalho. Enfim, uma autêntica tragédia!
Trata-se de mulheres, são elas que os meliantes – muitos deles ainda adolescentes – têm na mira, nos assaltos frequentes nas ruas da cidade e dos arredores.
Ponham a polícia e toda a força armada nas ruas! Que vigiem os bairros e os becos altamente perigosos da Praia! Para além do efeito dissuasor que isso teria sobre os bandidos, traria certamente, alguma tranquilidade às moradoras da cidade.
Façam visitas e revistem os bairros periféricos desta cidade, onde se sabe que se encontram os bandidos e o seu arsenal diabólico de facas e de armas! Mostrem que ainda existe autoridade nesta cidade!
Por favor, façam algo que se veja que as autoridades estão preocupadas com a segurança dos cidadãos e dos seus bens!
É caso para se lamentar, dizendo que os assaltantes se tornaram verdadeiros «donos e senhores» da cidade da Praia e que nós estamos à mercê deles…
Ao que isto chegou! Valham-nos todos os santos!
Por outro lado, nota-se que há qualquer coisa que está muito desequilibrada, em termos de funções de policiamento, na cidade da Praia! Se não, vejamos:
Apenas dois pequenos exemplos, entre muitos que poderia expor neste escrito.
Aqui há dias uma amiga foi assaltada, (levaram-lhe a carteira com tudo dentro, arrancaram-lhe o anel, ferindo-lhe o dedo) agredida, apalpada lascivamente, por três jovens meliantes que a atacaram em plena via pública, ao fim da tarde, quando se dirigia à casa de um familiar. Após o incidente, ela chorava desesperadamente humilhada e violentada, à procura de um agente policial na rua. Não viu polícia alguma.
Outro caso: Estava eu a caminho duma Livraria, quando reparei numa cena que se passava nas proximidades, quatro polícias (duas agentes e dois agentes) rodeavam uma jovem senhora para multá-la (deduzi eu) por ter estacionado mal o carro.
Afinal, os polícias desta cidade serão apenas caça-multas? Só para estes casos é que aparecem prontamente?
Reparem na discrepância! Dois casos. Um, com total ausência de tratamento adequado, e o outro, com dose quadrupla de atendimento musculado, para um acto com configuração de tratar-se de uma "simples" transgressão cívica, a senhora terá estacionado mal o seu veículo. Convenhamos! Francamente!
A situação a que atingiu o banditismo na cidade da Praia, já clama que seja declarado “estado de sítio”! Com todas as observâncias inerentes ao mesmo! Os “direitos humanos” são para todos, e não apenas para os bandidos!
Chegou-se a um ponto que é preferível, uma medida drástica desse quilate, que evite mais perdas inúteis de vidas, mais agressões físicas e psicológicas de cidadãs e de bens dos residentes do que esta permanente e há muito em descrédito – na boca de todos nós – «moleza» inépcia, incompetência de quem de direito!
Para terminar, na mesma linha da senhora que pediu em desespero de causa, que se construa um reformatório, uma instituição correccional, ou algo similar na ilha de Santa Luzia e que sejam levados para lá, ao mais pequeno acto de violência, os bandidos e os malfeitores que pululam e andam com total à-vontade e impunidade na nossa cidade. Também, deixo aqui este registo, que não é senão o meu «grito» de indignação! A falta de segurança retira toda e qualquer qualidade de vida ao cidadão! Vivemos sitiadas nos nossos bairros. Basta!

2 comentários:

Adriano Lima disse...

Não faltarão idealistas a censurar essa ideia da prisão/reformatório/campo de concentração em S. Luzia. Mas que fazer se a situação o exige de forma gritante? É claro que criminalidade e delinquência são consequência da degradante situação social, mas o que não pode acontecer é deixar-se a segurança do cidadão pelas ruas da amargura enquanto se resolve o grave problema da a falta de perspectiva para os jovens. Uma outra medida que importa ponderar é sobre o exército. Não será mais consentâneo com a nossa realidade transformá-lo em força policial? Há países que, pela sua dimensão e situação geográfica, o fizeram e com bons resultados.

Anónimo disse...

Acredito que o problema da insegurança é um problema político. Ela começou nos anos 90 com o advento da democracia e a ausência de vontade política para prevenir e combater o flagelo. Hoje acredito que as desiguldades sociais crescentes, o centralismo 'débridé' nos centros urbanos e o urbanismo caótico, a fuga do campo para a cidade e da periferia para os centros são os principais responsáveis pelo estado de coisas.
José F Lopes

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