No Centenário do nascimento de Humberto Duarte Fonseca (Mindelo 1916 – Lisboa 1983)

segunda-feira, 14 de novembro de 2016
Este texto insere-se na homenagem (centenário do seu nascimento, Novembro de 1916) que se presta ao grande cientista Humberto Duarte Fonseca, ilustre cabo-verdiano que cedo e com constância, se preocupou, estudou e abordou munido de uma dedicada e sapiente persistência – em textos publicados e trabalhos legados – com atenta e indesmentível seriedade científica, alguns dos graves problemas que atormentaram durante séculos as ilhas atlânticas de Cabo Verde. De entre eles, a seca, as estiagens e o ciclo irregular das chuvas, os ciclones que nos fustigavam e fustigam, o vulcanismo, entre outros males e causas naturais que afrontavam e afrontam o Arquipélago.
Humberto Duarte Fonseca, era natural da ilha de S. Vicente, onde nasceu a 20 de Novembro de 1916, oriundo de uma família pertencente à chamada classe média da cidade de Mindelo, composta por sete irmãos.  Todos estudaram e singraram bem nas respectivas carreiras profissionais. O pai, Torquato Gomes Fonseca também nascido em Mindelo, era filho de santantonenses. Estudou no Seminário-Liceu de S. Nicolau e foi funcionário dos Correios, tendo chegado a Director de Serviço. Exerceu outros cargos de relevo em Mindelo e na Praia. A mãe, Leopoldina Duarte Fonseca, igualmente mindelense, cuja ascendência proveio da ilha de S. Nicolau, foi uma educadora de mérito da sua numerosa prole, tendo-lhe transmitido valores em que o estudo, o trabalho, a honestidade, a seriedade e a honra foram traços fundamentais e dignificadores, na formação humana dos seus filhos.
Ora bem, é nesse ambiente de família bem estruturada que nasceu e cresceu Humberto Duarte Fonseca.
Humberto Duarte Fonseca fez os estudos primários e secundários em Mindelo. Uma nota interessante: o pai, Torquato, exigia que os filhos repetissem – “mesmo que se tratasse do melhor aluno da sala” (Transcrito de «Notas Biográficas sobre Humberto Duarte Fonseca» de Maria Adélia de Barros Fonseca) – a quarta classe, que à época era o 2º grau da instrução primária. O progenitor considerava que era o ano escolar charneira e por isso, ano-chave na aquisição de bases sólidas para a continuação do outro patamar, o do ensino liceal. Presumo que mais tarde, esta repetição foi pedagogicamente reconhecida e “formalizada” como “admissão aos liceus”.
Humberto D. Fonseca dedicava muitas horas do seu tempo à ginástica, ao desporto – futebol e, sobretudo, natação – só se revelando aluno distinto a partir dos 15 anos. Quando terminou o Liceu, convidaram-no para ser professor do mesmo estabelecimento de ensino. Aí se manteve alguns anitos, até seguir para Portugal onde prosseguiu com brilhantismo o curso de Ciências Matemáticas na Faculdade de Ciências de Lisboa. Em Lisboa já se encontravam outros irmãos – ele é o 4º de entre eles – que faziam os seus respectivos estudos universitários e que o apoiavam. Mercê das muitas explicações de matemática que dava, enquanto estudante, cedo prescindiu da mensalidade que o pai com manifesto sacríficio enviava de S. Vicente para os filhos, estudantes em Lisboa.
Portanto, auto-sustentou-se e ei-lo a completar com alta classificação o curso. Formou-se mais tarde, sempre com altas notas, como engenheiro geógrafo e fez também o curso de Geofísica.
Quadro distinto dos serviços meteorológicos e geofísicos, onde desempenhou em Portugal, Cabo Verde e Angola, funções de chefia.
Posto isto, gostaria de entrar agora na faceta que o tornaria conhecido – o de cientista, investigador e inventor.
Humberto D. Fonseca muito cedo se revelou um curioso e um estudioso dos problemas que afligiam estas ilhas, como já foi referido. O problema das secas e das estiagens devastadoras e visitantes frequentes e indesejadas do Arquipélago de Cabo Verde, com o seu cortejo de mortandades e de miséria, fizeram parte das suas inquietações e preocupações de pesquisador.
Igualmente cedo se interessou em como tirar-se proveito daquilo que hoje, se convencionou chamar “energias renováveis”. Foi sempre um ambientalista, um ecologista, num tempo que isso era pouco conhecido e falado entre nós.
De forma interessante explica a esposa, Maria Adélia de Barros Fonseca, autora de: «Notas Biográficas sobre Humberto Duarte Fonseca» apresentadas em Mindelo em 1993, no fórum alusivo ao décimo aniversário da morte desse insigne cabo-verdiano. A determinada altura, informa-nos M. Adélia Fonseca que: “Humberto Fonseca começou, desde muito pequeno a revelar interesse e curiosidade pelos fenómenos da natureza e a sua atenção era frequentemente despertada para os efeitos do vento e do sol, para a enregia das ondas do mar e para outros efeitos semelhantes. Contam os irmãos que, muitas vezes, ao ter de travar o moinho de vento que, na habitação de seus pais, captava água para encher um tanque que servia de piscina para a sua turma de rapaziada, lastimava que toda aquela energia se perdesse ingloriamente quando poderia ser aproveitada por engenhos adequados; não lhe escapava, também, o facto de o vento soprar forte, em S. Vicente, cerca de 300 dias por ano; pelo facto de passar muitas horas junto da praia e da orla marítima exprimia a sua contrariedade pela falta de aproveitamento da energia que emanava das ondas do mar. Estes e outros factos semelhantes foram despertando no seu espírito desde muito jovem”.  
Mais tarde, formado, investigador e inventor com um curriculum rico que espelha e atesta a dimensão do estudioso aplicado, sério e criativo, Humberto Fonseca, havia de realizar alguns dos seus muitos sonhos de menino e moço de S. Vicente.
Com efeito, Humberto Fonseca levou a vida intensamente virada para o estudo e para a investigação.  Algo que começou na juventude e continuou ao longo do resto de toda a sua vida, em trabalhos de pesquisa, sobre os elementos da natureza, as variações climatológicas, os quais, as mais das vezes, pela sua força adversa, maltratavam as ilhas de Cabo Verde o que preocupava e inquietava esse grande espírito humanista e pensador.
Por outro lado, também foi-se apercebendo em estudos e reflexões de que a energia do vento, do mar e do sol podiam ser também viradas positivamente para o desenvolvimento destas ilhas, e assim vamos tendo nesse laborioso percurso e nos seus principais inventos, o objectivo pretendido pelo criador:
Barragem Anemomotriz – 1968 – Medalha de bronze no Salão Internacional de Invenções e Técnicas Novas de Bruxelas.
Gravímetro Absoluto Fotoeléctrico de Mercúrio – 1969 – Medalha de ouro com felicitações do Júri e medalha de Honra da cidade de Bruxelas.
Balizador Tangencial – 1970 – Medalha de ouro com felicitações do Júri e Taça de cristal da Boémia. Bruxelas.
Teleondâmetro de Impulsos – 1971 – Medalha de ouro com felicitações do Júri. Bruxelas.
Fluxicóptero – 1971 – Medalha de ouro. Bruxelas.
Dispositivo de Aceleramento da Evaporação de soluções salinas para a indústira do sal – 1978 (co-inventor) – Medalha de ouro no Salão internacional de Genéve.
Barragem Ecológica – 1978 – Medalha de ouro no Salão internacional de Genéve.
Anjo Eólico – 1981 (co-inventor) – Medalha de ouro no Salão Internacional de Genéve.
Para além dos inventos premiados internacionalmente, Humberto Duarte Fonseca é criador de outros engenhos e de mais aparelhos, que não foram apresentados internacionalmente. São eles:
Patim Bengala – 1977;
Saco Termo-Solar – 1978;
Estação Telegravimétrica Automática – 1979;
Também em Portugal, obteve numerosos outros prémios dos quais se destacam:
1951 – Prémio Junta de Investigação do Ultramar;
1958 – Prémio de Física do Instituto de Angola;
1971 – Prémio Peixoto Correia da Fundação Cuca;
1972 – Prémio Salão de Invenções da FIL. (Feira Internacional de Lisboa);
1983 – Medalha de Ouro de Mérito da Cidade de Lisboa;
Deixou muitos ensaios/teses escritos e publicados em revistas científicas e em separatas. Foi colaborador assíduo do antigo Boletim «Cabo Verde» 1949/1964, publicado na cidade da Praia.
Gostaria de nesta oportunidade trazer ao leitor uma passagem de um artigo de H. Fonseca – seja aqui acrescentado que Humberto D. Fonseca escrevia muito bem e possuía o dom da palavra e, consequentemente, muita facilidade de falar em público, com à-vontade, e de improviso, que nós, os seus sobrinhos, e toda a família admirávamos.
Ora bem, a páginas tantas de um dos artigos, ele escreveu o excerto que se segue e que, no nosso entender, definia o que ele era na realidade:” (...) Nós, homens e mulheres oriundos de uma terra pobre como esta, temos de estar permanentemente vinculados à dramática problemática da promoção social  da nossa gente, e onde quer que estejamos e seja qual fôr a actividade que nos ocupe, o cordão umbilical que nos liga à terra, deve funcionar, não só sob uma mera forma platónica do culto da morna ou da saudade, mas sim procurando dar um contributo válido para o progresso  geral da pobre terra”.
Devo confessar que me socorri da boa memória do meu mano mais novo, o Hugo, que o decorou, memorizou-o quando leu esta passagem da mensagem do tio. Excerto aliás, que Hugo Fonseca Rodrigues, mais tarde, havia de transcrever, como se de prefácio se tratasse (numa homenagem ao tio Humberto), para o seu livro de poemas: «Burcan» publicado em 1974.
Retomando, não vá sem acrescentar que os campos de interesse deste cientista, não se confinaram apenas ao mundo da ciência – pura e aplicada. Não. Ele demonstrava interesse por quase tudo que a Cabo Verde dissesse respeito. Um desses centros de interesse era a Literatura cabo-verdiana.  Não sei se publicado, ou não, sei que ele escreveu, nos anos 60 do século passado, um excelente texto: «Saudação ao poeta Jorge Barbosa» creio que lida numa homenagem feita ao grande poeta, na ilha do Sal ou, em Lisboa. Não me certifiquei do local. Além disso, e por ocasião da morte do poeta Daniel Filipe (Boa Vista, 1925, Lisboa, 1964) ele enviara um texto/mensagem ao antigo e prestigiado Boletim «Cabo Verde» – texto transcrito neste Blogue (vide “Daniel Filipe, o poeta da solidão e do exílio” de 10 de Abril de 2016) em que H. Duarte Fonseca anunciava a morte prematura do poeta e pedia ao Director, Dr. Bento Levy,  que a revista que dirigia não deixasse passar em branco, tal notícia e que  homenageasse  tão insigne figura e qualificado poeta que teve vida breve. De facto, Daniel Filipe mereceu nesse número da revista uma destacada lembrança, pois que para além do texto/carta do promotor da homenagem ao poeta luso-cabo-verdiano, também apareceu uma evocação ao poeta, «Apenas um Búzio» da escritora Maria Rosa Colaço, bem como poemas de Daniel Filipe.
E a propósito da colaboração escrita e das muitas intervenções, muitas mesmo, deste querido conterrâneo, protagonista deste escrito, refiram-se as do «Colóquio Cabo-verdiano» realizado em 1961, de que H. Duarte Fonseca foi um dos mais notáveis impulsionadores e activo co-organizador. 
Sobre o «Colóquio cabo-verdiano», transcrito no Boletim «Cabo Verde», nº 142, de Julho de 1961, um texto de sua autoria em que rectifica a notícia transcrita das Actas do Colóquio, nomeadamente o seu ponto nº 8 sobre o grogue de Santo Antão. Acérrimo defensor da produção da boa aguardente da ilha das montanhas, de cuja qualidade tanto enaltecia que ele se orgulhava de a oferecer a paladares requintados deste tipo de bebida. De igual modo, reconhecia ele que a produção da aguardente de cana constituía uma fonte de rendimento para os seus agricultores e, como tal, devia ser incentivada. Isto porque se apercebeu a certa altura, de que poderia estar em marcha alguma “manobra” encoberta no sentido de se acabar com o cultivo da cana sacarina, a pretexto de substituí-la pelo da banana. Vai daí, em extenso artigo, publicado no citado número do «Cabo Verde», tecer considerandos sobre a ausência de lógica, explicitada na conclusão mas que ele aceitava que até poderia ter sido um erro na redacção da Acta, para aquele ponto, dado que, tal como redigido, expressava um autêntico contra-senso. Para ele, o problema colocava-se da seguinte maneira: “Há regiões onde a cana se produz bem e banana mal, sendo aí anti-económica a sua substituição(...)” Mas Humberto Fonseca não se quedou nesses considerandos. Escreveu logo a seguir um belo artigo em defesa dos produtores da aguardente da ilha de Santo Antão, com uma força emotiva tal, e um argumentário assaz lógico e assertivo, que nos faz pensar que se alguma intenção houvera, da parte das autoridades da época, em acabar com o cultivo da cana, ela não se verificou da forma como deixava antever. No texto, o autor convida em tom irónico, a quem pensasse em atirar pedras aos “pobres produtores da riquíssima aguardente de Cabo Verde” com manifestos prejuízos económicos, mas que antes de tal acto praticarem que o seguissem numa viagem imaginária a países, onde, com cuidados e com real e abrangente lógica mercantil, se produzia aguardente. “(...) Antes de apedrejarmos os fabricantes da aguardente de Cabo Verde, passemos às regiões do Minho e Douro e apedrejemos os vinhateiros; apliquemos a mesma pena aos fabricantes de aguardentes várias da metrópole (bagaceira, macieira, medronhos, etc ) depois passemos à Espanha munidos de pedras, pois temos muito que fazer (o belíssimo Fundador, D. Carlos I, Pedro Domecq, etc); prossigamos através dos Pirenéus e lapidemos os homens de Champanhe, Bordeaux e tantas outras regiões alcoogénicas da França; atiremos pedras também aos do Reno e aos cervejeiros alemães, holandeses, etc, etc. Depois disso – e enquanto viajamos para Cabo Verde, meditando nos graves e injustificáveis prejuízos económicos causados às populações daquelas tão ricas e cativantes paisagens europeias – preparemos pedras a atirar aos pobres produtores da riquíssima aguardente de Cabo Verde (...) terra cuja produtividade flutua ao sabor da lotaria das chuvas de Outubro; terra onde todos os produtos ricos devem ser acarinhados, valorizados, industrializados e lançados sob protecção da nossa diplomacia económica, nos mercados internacionais”  (Julho de 1961)
Era assim, o perfil deste filho das ilhas. Sempre muito atento e oportuno na defesa e/ou na condenação de matérias que mexessem com as ilhas. E isso não importava a que coordenadas geográficas ele se encontrava.
Contava ele que o facto de passar férias, jovem, nos anos 40 do século XX, nos Mosteiros, na ilha do Fogo, em casa da irmã mais velha, Celina, (nossa mãe) casada com um foguense (nosso pai, Hugo Rodrigues) permitiu-lhe o contacto com um ambiente eminentemente rural, agrícola, e despertou-lhe um enorme interesse pelos problemas próprios do meio agrícola, com particular acuidade para a questão da cultura do milho, da forma como era dependente das chuvas que ora vinham, ora não vinham, tendo ele chegado a defender e a recomendar, o cultivo de um tipo de milho menos exigente de água.
Nota interessante é que Baltazar Lopes da Silva, no número da revista «Ponto & Vírgula» de Abril/Setembro de 1985, na rubrica que assinava: “Vária Quedam” a propósito das chuvas e da economia agrária das ilhas, anotou sobre Humberto Duarte Fonseca o seguinte: “(...) Claro que nem todos atribuirão as chuvas que caem nesses dias à intercessão dos santos que neles são especìficamente cultuados. E o problema que então se põe será o de saber que alterações meteorológicas e/ou cósmicas estão na raiz de tais precipitações. Cá está matéria digna de investigação e da perspicácia dos homens de estudo da nossa terra (...) de um sei eu certo que, se a morte o não tivesse levado tão cedo, se teria dedicado ao problema com o entusiasmo cabo-verdiano e a responsabilidade científica que o caracterizavam. Refiro-me a Humberto Fonseca (...) era um dos maiores e mais úteis valores que tão necessários seriam à nossa terra.” (o negrito é nosso)
Por ocasião do décimo aniversário da morte de H. Duarte Fonseca, em 1993, um grupo de Quadros cabo-verdianos, ligados à meteorologia, ao ensino e à pesquisa, enquadrados pela Associação para o Desenvolvimento e para o Ambiente ADAD presidida pelo Dr. Januário Nascimento, prestou-lhe uma homenagem significativa, organizando na altura um fórum: “Humberto Duarte Fonseca, o Homem e o Cientista”, realizado na cidade do Mindelo, no salão nobre da Câmara Municipal da ilha de S. Vicente.
Não corro perigo algum de qualquer exagero, afirmar ser, Humberto Duarte Fonseca, o cabo-verdiano que mais medalhas e distinções obteve (até ao momento em que escrevo estas linhas) por notáveis trabalhos científicos.
Trabalhou até morrer, escrevendo e criando sempre, mesmo acamado, nos períodos de melhoras que a doença lhe proporcionava. Lúcido e criador até fechar os olhos para sempre.
Viveu com simplicidade e tinha um grande desprendimento, nada afectado, pelos bens materiais. Aliás, ele era conhecido entre os colegas como o “Bom Pastor.” Generoso, acudia da sua algibeira e com as suas palavras, quem necessitado de ajuda estivesse. Quando sentiu que a morte já o queria, pediu à mulher que fosse enterrado em “caixão de pinho”. Entenda-se o simbolismo do pedido: o mais simples e o menos oneroso, pois que isso fazia jus à forma como ele passara pela vida. As vaidades mundanas e o mundo do parecer, pouco, ou quase nada, lhe diziam.
Passados agora 100 anos sobre o seu nascimento, a viúva, os filhos, os familiares, os amigos, antigos colegas e algumas instituições e associações com as quais, Humberto Duarte Fonseca trabalhou e colaborou; todos eles, em boa hora, prestam-lhe uma merecida homenagem na cidade de Lisboa, a 19 de Novembro próximo.
A seguir, de forma resumida e abreviada a sua vasta folha curricular de brilhantes serviços e obras deixadas.
Biografia de Humberto Duarte Fonseca
(coligida e adaptada da brochura: «Notas biográficas sobre H. Duarte Fonseca» obra citada, de autoria de Maria Adélia de Barros Fonseca, viúva do biografado)
1916 – Nascimento na cidade do Mindelo, ilha de S. Vicente, Cabo Verde
Filiação – Torquato Gomes Fonseca, nascido em Mindelo, de pais oriundos da ilha da Santo Antão e de Leopoldina Duarte Fonseca, nascida em Mindelo, de pais oriundos da ilha de S. Nicolau.
1923/1927 – Estudos primários na escola central do Mindelo.
1928/1936 – Estudos liceais no Liceu Infante D. Henrique, mais tarde Liceu de Gil Eanes em S. Vicente.
!937/1940 – Professor liceal em Mindelo, das disciplinas de Matemática, Ciências Naturais, Higiene e Educação Física.
!941/1946 – Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Frequência e conclusão da licenciatura em Ciências Matemáticas (17 valores).
1946 – Presidente da Associação Académica da Faculdade de Ciências de Lisboa.
1946/48 – Presidente da Casa dos Estudantes do Império C.E.I. (Nota com interesse:  um ano antes, em 1945, Humberto Fonseca e Aguinaldo Veiga, ambos membros da Direcção da CEI, intervieram e pugnaram para que o jovem setemanista, recém-chegado a Lisboa, vindo de S. Vicente, Amílcar Lopes Cabral, obtivesse uma Bolsa de Estudos, com a qual cursou Agronomia, embora o beneficiado não fosse “natural” de Cabo Verde como mandavam os critérios para a atribuição da referida Bolsa de Estudos).
1947/48 – Curso de Geofísica, na mesma Faculdade, com a classificação final de 16 valores.
1948 – Meteorologista do Serviço Meteorológico Nacional (SMN).
1949/1950 – Concluiu com a nota final de 16 valores, o curso de Engenheiro Geógrafo, também feito na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.
1950 – Director do Observatório Meteorológico de Mindelo, ilha de S. Vicente, Cabo Verde.
1951 – Membro da expedição científica à erupção do vulcão da ilha do Fogo, Cabo Verde. Foi Humberto Duarte Fonseca quem denominou os dois montes surgidos com a erupção de «Monte Rendall», (Luís Silva Rendall, Administrador do Concelho do Fogo e incansável no socorro à população afectada) e, «Monte Orlando» (Prof. Orlando Ribeiro, chefe da expedição científica ao vulcão do Fogo).
1953/54 – Bolseiro da Junta de Investigação do Ultramar – Paris.
1958/60 - Delegado à Comissão Meteorológica Marítima da Organização Meteorológica Mundial.
1959 – Chefe do Departamento de Geofísica do Serviço Meteorológico de Angola. Chefe da expedição científica ao Iona – Angola.
1960 – Vice-Presidente da Sociedade Cultural de Angola – Luanda.
1961/62 – Bolseiro da Junta do Ultramar – Cabo Verde.
1967 – Chefe do Serviço Meteorológico de Cabo Verde.
1968 – Chefe do Departamento de Estudos do Serviço Meteorológico de Angola, como Meteorologista-Inspector.
1970/75 – Presidente da Associação Portuguesa de Inventores – Luanda.
1972/73 – Membro convidado do Júri Internacional do Salão de Invenções de Bruxelas.
1973 – Representante do Serviço Meteorológico de Angola na Subcomissão Nacional do Meio Ambiente.
1974/76 – Membro do Júri Internacional do Salão Internacional de Invenções e Técnicas Novas – Genéve, Suiça.
1975 – Representante de Portugal e de Angola ao Congresso Meteorológico Mundial – Genéve. Subdirector do Serviço Meteorológico de Angola e Professor da Cadeira de Meteorologia da Universidade de Luanda.
1976/79 – Presidente da Assembleia Geral e Director do Centro de Invenção da Associação Portuguesa de Criatividade (APC) – Lisboa. Coordenador de Departamento do Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica em Lisboa.
1979 – Director do Serviço de Geofísica do INMG. Lisboa. Director da Revista Inventiva da APC. Delegado de Portugal ao Congresso Meteorológico Mundial – Genéve.
1980 – Reeleito Presidente da APC – Associação Portuguesa de Criatividade. Lisboa
1983 – Faleceu em Lisboa, no ano em que completaria 67 anos de idade, por doença.

P. S. Agora a minha nota pessoal, do muito afecto que lhe tive em vida e de memórias boas que guardo desse tio querido e padrinho muito estimado. Estima aliás, que toda família lhe expressava, pois que para além de sabedor e de alguém naturalmente professor, com atitudes permanentemente pedagógicas, era também pessoa cativante na sua forma de estar e de falar connosco; o tio Humberto era acima de tudo, um familiar em quem esta definição assentava bem, pois que ele demonstrava e distribuía amizade por todos os seus parentes, dos mais próximos aos mais afastados, mesmo àquele que ele tivesse acabado de conhecer. Ele era assim, de natureza e de feitio. É uma das memórias que dele guardo, para além dos muitos ensinamentos, quer de teor científico, quer de teor humano que dele ouvi e interiorizei.

1 comentários:

Adriano Lima disse...

Emocionou-me a leitura desta evocação. Em Cabo Verde, não abundam os exemplos de tanta sabedoria científica, humanismo e devoção ao torrão natal reunidos na mesma pessoa. Tanta falta sentimos hoje de homens do calibre do Eng. Duarte Fonseca!
Infelizmente, deixou-nos numa idade em que muito teria ainda a dar.

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