Mais um
texto interessante sobre como ensinar Camões nas escolas e enquadrado no âmbito
das comemorações dos quinhentos anos do nascimento do grande poeta português,
renascentista do século XVI, Luís Vaz de Camões.
Aqui
se publica com a devida vénia à autora, Professora Maria Regina Rocha.
A
imaginação como porta de entrada para Camões
Por:
Maria Regina Rocha
"[Para
se ensinar Camões] é bom começar por pôr a imaginação dos meninos a funcionar.
Por exemplo, lembrar-lhes que Camões escreveu no século XVI, quando se escrevia
com penas de ave, de ganso ou de cisne, apenas molhadas em tinta da China. E o
papel era papel que era feito com trapos, com fibras de linho, algodão ou
canha. Reparem o que era a dificuldade da escrita e o que significa o mérito de
se escrever uma obra que demorou 10 a 15 anos a escrever uma redação
intermitente. Agora imaginem o que é que significa uma obra que tem 1102
estâncias com 8816 versos. Ou seja, ter logo uma ideia da dimensão antes de os
meninos pequenos pegarem no texto. Uma porta de entrada para eles verem o que
vão ver, o que vão saber, como têm o privilégio de entrar em contacto com algo
que é excecional. Depois, de certo modo, trata-se de apresentar os livros como
quem conta uma história, porque nós vamos ver uma obra que é uma história, que
é a viagem de descoberta do caminho marítimo para a Índia. A primeira viagem
que se fez de Lisboa ao Oriente e regresso. É esse o foco da história. Claro
que não vou falar de História pura e dura, mas vou convidá-los a participar
nessa viagem. Também é preciso dizer que é bom mostrar os mapas, mostrar as
rotas, colocar a luz na época e dizer coisas concretas que os alunos não têm a
noção. Por exemplo, nessa viagem à Índia, foram 148 homens e chegaram cá a
Portugal 55. Foram quatro navios e só chegaram dois, os outros dois
perderam-se. Os alunos gostam de histórias e gostam de saber, e isto é uma
história que tem um fundo histórico. Saem de Portugal, vão até ao Oriente e
regressam, mas, atenção, isso leva mais de dois anos. Na história de "Os
Lusíadas", Camões selecionou passagens dessa viagem para que nós como que
viajemos com esses que foram e voltaram. Mas há outro aspeto importante que é a
literariedade, a beleza do texto, o prazer e a beleza dos versos. A questão da
literariedade também é ensinada aos alunos, levando-os a ver. E isso faz com
que eles se interessem [pelos "Lusíadas"]."
*Iniciativa
no âmbito das comemorações dos 500 anos do nascimento de Luís Vaz de Camões