terça-feira, 19 de maio de 2026

 

 

Mais um texto interessante sobre como ensinar Camões nas escolas e enquadrado no âmbito das comemorações dos quinhentos anos do nascimento do grande poeta português, renascentista do século XVI, Luís Vaz de Camões.

Aqui se publica com a devida vénia à autora, Professora Maria Regina Rocha.

 

A imaginação como porta de entrada para Camões

Por: Maria Regina Rocha

 

"[Para se ensinar Camões] é bom começar por pôr a imaginação dos meninos a funcionar. Por exemplo, lembrar-lhes que Camões escreveu no século XVI, quando se escrevia com penas de ave, de ganso ou de cisne, apenas molhadas em tinta da China. E o papel era papel que era feito com trapos, com fibras de linho, algodão ou canha. Reparem o que era a dificuldade da escrita e o que significa o mérito de se escrever uma obra que demorou 10 a 15 anos a escrever uma redação intermitente. Agora imaginem o que é que significa uma obra que tem 1102 estâncias com 8816 versos. Ou seja, ter logo uma ideia da dimensão antes de os meninos pequenos pegarem no texto. Uma porta de entrada para eles verem o que vão ver, o que vão saber, como têm o privilégio de entrar em contacto com algo que é excecional. Depois, de certo modo, trata-se de apresentar os livros como quem conta uma história, porque nós vamos ver uma obra que é uma história, que é a viagem de descoberta do caminho marítimo para a Índia. A primeira viagem que se fez de Lisboa ao Oriente e regresso. É esse o foco da história. Claro que não vou falar de História pura e dura, mas vou convidá-los a participar nessa viagem. Também é preciso dizer que é bom mostrar os mapas, mostrar as rotas, colocar a luz na época e dizer coisas concretas que os alunos não têm a noção. Por exemplo, nessa viagem à Índia, foram 148 homens e chegaram cá a Portugal 55. Foram quatro navios e só chegaram dois, os outros dois perderam-se. Os alunos gostam de histórias e gostam de saber, e isto é uma história que tem um fundo histórico. Saem de Portugal, vão até ao Oriente e regressam, mas, atenção, isso leva mais de dois anos. Na história de "Os Lusíadas", Camões selecionou passagens dessa viagem para que nós como que viajemos com esses que foram e voltaram. Mas há outro aspeto importante que é a literariedade, a beleza do texto, o prazer e a beleza dos versos. A questão da literariedade também é ensinada aos alunos, levando-os a ver. E isso faz com que eles se interessem [pelos "Lusíadas"]."

*Iniciativa no âmbito das comemorações dos 500 anos do nascimento de Luís Vaz de Camões

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